sexta-feira, 8 de abril de 2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O estranho homem do lago


Fala, Brasil.

Como vocês sabem, estou em semana de provas.

Segunda-feira, tive a minha primeira prova de redação (SÓ de redação) na vida. E eu me diverti pacas fazendo. Explico.

A princípio, pensei que a prova teria questões dissertativas, já que nós fizemos duas apostilas durante as aulas. Mas não é que eu me surpreendo quando vejo que tínhamos que fazer uma REDAÇÃO na prova de REDAÇÃO?

Pois é.
"Faça um texto descritivo sobre uma pessoa, um animal, um objeto ou uma paisagem".

Quando li isso, EU QUASE PULEI DA CADEIRA! "QUE DIVERTIDO!", pensei bem alto.

Eu adoro fazer redações, e às vezes até fujo um pouco do assunto para poder ter mais liberdade na escrita e nos conteúdos. Os professores já conhecem. Bom, ESSE ainda não, mas ele vai, ah, se vai.

Aqui vai o texto adaptado, porque eu levei o rascunho pra casa.
Sejam felizes.

OBS: O texto, a história e seus personagens são dedicados às amigas Snapetes, que logicamente irão entender todas as agonias e trejeitos do "estranho homem" que eu usei como "muso".

***

Estava descansando embaixo de uma árvore, olhando serenamente para as estrelas, quando o vi. Um vulto alto, de andar elegante, caminhando silenciosamente em direção ao lago. Parecia um decadente aristocrata com suas roupas vistosas e negras, mas levemente amassadas, como se tivesse passado um par de dias dormindo ao relento. O que faria tão estranha figura a essas horas da madrugada aqui neste campo, sempre tão deserto? E então lembrei o motivo pelo qual eu estava lá – pensar. Aquele certamente era um bom lugar para pensar.

O homem virou de costas para o lago, e com um suspiro, sentou-se. Foi quando pude ver pela primeira vez o seu rosto. Era incrivelmente pálido, como se tivesse passado meses sem ver a luz calorosa do Sol. Aliás, nada parecia caloroso em suas feições. Tinha o semblante frio, inexpressivo, como se fosse a acostumado a nunca demonstrar qualquer tipo de emoção. E os olhos, então? Negros, profundos, olhos onde não era possível distinguir a íris da pupila. E o homem ficava cada vez mais indecifrável. Os cabelos, também negros, longos e escorridos pelo rosto branco contrastavam, balançando suavemente com a brisa, e assim os faziam parecer um anjo sombrio da noite. Tal conclusão deveria ter me assustado, mas não ousei sair do lugar. Não sei se por curiosidade, ou até mesmo por hipnose.

O traço mais impressionante do rosto era o nariz – grande, adunco, mas que combinava perfeitamente com o conjunto. Era como se aquilo o tornasse especial, único. Ao todo, o homem formava uma figura, no mínimo, peculiar. Chamativa. Nunca havia visto alguém parecido por essas bandas. Seria ele mais um daqueles viajantes nômades que costumam passar pela cidade em busca de aventuras em lugares desconhecidos? Não, provavelmente não. Ele não tinha cara de que se divertisse nem que isso fosse um decreto.

Abruptamente, levantou-se com um brilho diferente nos olhos e jogou com toda a sua força uma pedra branca na água, que quicou quatro vezes antes de afundar, deixando fortes ondulações no lago, antes intocado. Vi o quanto seus dedos eram longos e finos, e suas mãos, extremamente habilidosas. Ele poderia ser um exímio pianista se assim desejasse, pensei.

Logo percebi que o homem parecia estar com muita raiva de água, e nem isso conseguia demonstrar corretamente. Céus, ele precisava extravasar, relaxar! Mas, além de tudo, parecia triste também, melancólico, daquele jeito que só vemos em homens quando perdem o amor das suas vidas.

Naquele momento, eu estava com um enorme sentimento de pena para com ele, mas não sabia se isso era algo que o homem fosse aceitar. Parecia orgulhoso, individualista, assim - guardando tudo para si. Talvez nem soubesse que era aquilo que o estava destruindo.

Talvez ele precisasse saber, pensei. Era isso. Iria até ele, o confortaria mesmo se rejeitasse a ideia a princípio, pois acabaria percebendo que o que mais precisava era de um ombro amigo, alguém para compartilhar as mágoas após anos de solidão.

Mas, então, tudo aconteceu muito rápido. Um esquilo mexeu-se nas folhagens, assustando o homem com o movimento repentino, e antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, ele havia sumido. Sim, ele havia desaparecido como pó, bem na minha frente. Estava sem reação. Ele podia ter sumido agora, não agora...

Seria ele bruxo? Fantasma? Ou até mesmo apenas um fruto da minha imaginação? Uma ilusão projetada por uma mente desesperada por respostas... ou mais perguntas?

Isso nunca saberia. Pois nunca mais cheguei a encontrar o estranho homem. A única coisa que sabia era que – se ele era então real -, havia perdido sua última chance naquela noite.

Sua última esperança.

Eu havia voltado ao bosque mais cinco vezes naquela semana... mas ninguém estava lá.


***

Saindo da prova, descendo as escadas em direção à cantina do colégio, ouvi a coisa mais bonita que alguém pode dizer.

Um garoto e uma garota de 17 anos, abraçados, que também tinham acabado de sair da prova.

E ele disse com um sorriso torto no rosto: "Na vigésima linha, eu já tinha acabado de descrever o seu rosto".

Eu estava passando pelo lado nessa hora, e quase caí da escada com a declaração. E olha que nem foi pra mim. Eu nunca pensei que alguém pudesse ser tão romântico. Tá, foi estranho. Mas a menina nem ligou. Corou, e sorriu de volta.

E é isso que importa.

Incrível, né?
Homem quando quer...



terça-feira, 5 de abril de 2011

Durante as provas,

Minha cabeça se rebela.

Na prova de Biologia, tive uma revelação sobre a vida no meio de uma questão sobre desnaturação proteica.

No prova de Literatura, tive uma ideia brilhante pra uma história, e não sosseguei até formular a base dela inteirinha pra poder continuar a prova.

A prova acaba, e eu fico olhando pro nada imaginando que a professora da sala de provas é um peixe, e que todos nós estávamosmos nadando nas ondas do conhecimento.

Depois eu decido que aquilo mais parece os exames NOM's de Harry Potter, e vejo que estou indo longe demais. Tento dar "Nox" na minha cabeça.

Fico duas horas sem poder fazer nada, nem olhar pros lados, e prefiro dormir. Sonho que tem alguém me mordendo, e acordo assustada, fazendo sinal da cruz.

Vejo que tem muita gente de outras séries fazendo prova caladinhos ainda, e disfarço legal.

Sabe aquela sensação de acordar no meio de pessoas estranhas com aquela cara linda, que nem no avião?

Eu comecei a achar, viajando, que todos tinham acabado de dormir também.
E pensei "Puxa, que legal".

Tinha um garoto dormindo lá no canto, e eu estava com vontade de cutucar ele, só de graça.

Como vocês podem perceber, eu fico bêbada quando acabo de acordar.

Olhei no relógio. PUTZ. Faltavam ainda 50 minutos de prova. 50 minutos Forever Alone, sem ao menos poder pegar um livro pra ser feliz...

50 minutos numa sala cheia de gente mais velha e estranha, 50 minutos antes de poder ir ao banheiro...


Faço provas para pensar. Literalmente.


segunda-feira, 4 de abril de 2011

São as pequenas coisas

Era mais uma segunda-feira.

Seu despertador não tocou, você saiu atrasado de casa
Nem tomou café
Pegou o trânsito infernal das manhãs, quase bateu o carro
Seu chefe brigou com você, e disse
"Esta é a última vez, está me ouvindo?"

Seu computador de trabalho estava cheio de vírus
Você passou meia hora tentando abrir o Excel
E mais meia hora explicando por que ainda não tinha terminado o arquivo

Na hora do café Do expediente
A nova estagiária desastrada derrubou um pouco de leite quente na sua camisa
E depois de mil pedidos de desculpas
Tudo que ela conseguiu foi sujar mais a sua gola com açúcar

Você voltou pra casa na hora do Rush
E dessa vez, bateu de verdade o carro
Foi só um arranhão
Mas você explodiu com o caminhoneiro, sim, caminhoneiro
Que fez o estrago.

Ele era um sujeito bronco, grosso
E quase que você levou porrada.

Ligou a rádio
E estava na Voz do Brasil
Abriu a caixa de CDs
E só tinha o Samba que a sua mulher adora
E você odeia.

Você passa dois minutos procurando a chave entre o carro e a porta
Amaldiçoando todos os descendentes de Murphy
E tentando imaginar o que ainda
Podia dar errado.

Girou a maçaneta, encontrou tudo desligado
Será que todos já estavam dormindo?
Foi até o quarto da filha

Ela se remexia na cama
Balançando suas pernas e bracinhos para cima
Quando lhe viu
Abriu o maior sorriso - banguela
E disse:
"Te amo, papai"


Ah, ele ganhou o dia.

Que sorte, não?

DIÁRIO DE UMA VIAGEM PARA FLÓRIDA - VÍDEOS

Enrolei, enrolei... mas cheguei.

Vocês não sabem a maior confusão que foi editar esses vídeos. Sem brincadeira, foram 2 dias na frente computador esperando alguma luz divina que iluminasse esse teimoso. Os vídeos não salvam de jeito nenhum, e olha que eu tentei de tudo - dimunuir a resolução, cortar o máximo possível... Nada. De nenhum jeito dava certo.

Então, dividi o dito cujo em seis partes, que você pode encontrar no meu canal no Youtube ou aqui.

Espero que vocês se divirtam com as legendas, pois algumas coisas dos vídeos eu nem revisei, do tanto que refiz. Já encontrei erros absurdos e embaraçosos, mas tudo bem. As legendas estão legais. XD

DIÁRIO DE UMA VIAGEM PARA FLÓRIDA - PARTE 1




DIÁRIO DE UMA VIAGEM PARA FLÓRIDA - PARTE 2




DIÁRIO DE UMA VIAGEM PARA FLÓRIDA - PARTE 3




DIÁRIO DE UMA VIAGEM PARA FLÓRIDA - PARTE 4




DIÁRIO DE UMA VIAGEM PARA FLÓRIDA - PARTE 5




DIÁRIO DE UMA VIAGEM PARA FLÓRIDA - PARTE 6





sexta-feira, 1 de abril de 2011

Procurando Nárnia


Estava passeando pela minha estante procurando algo novo para ler. Meus olhos logo bateram no grande livro preto, ainda intocado, esperando para ser aberto desde o Natal. Peguei-o. Na capa, um leão majestoso de olhos azuis e profundos, dourado como o Sol.

Aslam.

O grande leão cujo nome respeitamos e nos sentimos protegidos ao ouvir. Como uma simples junção de fonemas pode trazer tanto alívio e impor tanto temor, ao mesmo tempo? Não, não é só para o povo de Nárnia.

Você que assistiu o filme deve ter pensado o mesmo. Deve ter se encantado com Lúcia, A Destemida, assim como eu, lendo o livro. Deve ter o pensado o quanto aquele mundo era maravilhoso, assim como eu. Pois o filme foi adaptado de forma espetacular, e isso eu repito para quem quiser ouvir.

E quem não queria estar na hora da criação do mundo de Nárnia, em O Sobrinho do Mago, ouvindo o canto de Aslam ao lado de Polly e Digory, e presenciando o momento da primeira piada?

A princípio, pensei que os livros fossem, no mínimo, legais. Mas me dei de cara com uma história fantástica, onde parar de ler era o maior problema.

Depois do primeiro livro, citado acima, eu já estava completamente envolvida com as crônicas de Lewis. Mas, devo confessar, ele somente tomou o posto de um dos meus autores preferidos depois de uma pequena passagem em O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa... a dedicatória.

"Minha querida Lucy,

Comecei a escrever esta história para você, sem lembrar-me de que as meninas crescem mais depressa do que os livros. Resultado: agora você está muito grande para ler contos de fadas; quando o livro estiver impresso e encadernado, mais crescida estará. Mas um dia virá em que, muito mais velha, você voltará a ler histórias de fadas. Irá buscar este livro em alguma prateleira distante e sacudir-lhe o pó. Aí me dará sua opinião. É provável que, a essa altura, eu já esteja surdo demais para poder ouvi-la, ou velho demais para compreender o que você disser. Mas ainda serei o seu padrinho, muito amigo".

- Dedicatória do livro escrita por C. S. Lewis à Lucy Barfield


Lembro de quando entrava nos guarda-roupas das casas e ficava os explorando, para ver se achava uma passagem secreta para um mundo mágico, há muito anos atrás. Peguei-me fazendo o mesmo nos dias de hoje, com o mesmo brilho no olhar de antigamente. Olhar este de expectativa, esperança e divertimento.

Sim, assim como Lucy, voltei a ler contos de fada depois de crescida. E esta é a minha opinião.

Obrigada, Lewis, por me devolver algo há muito perdido.
Você plantou um poste de luz na minha Nárnia, e ele já está crescendo.