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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Nem parece Brasil

Este post faz parte do especial Semana Maluca em São Paulo.

Existem cidades aqui no Brasil meigas demais para serem corrompidas. Tão meigas que morar lá o ano inteiro deve ser uma chatice - mas mesmo assim, você, turista, adora.
Eu havia vivenciado isso apenas uma vez antes. Lá nos confins do Rio Grande do Sul, em Gramado. Mas aconteceu de novo - agora, em Campos do Jordão.

Cidades turísticas. Você nunca vai ver alguém indo pra esses lugares a trabalho - a menos que o cara esteja mentindo, assim, na cara-de-pau.

Cidades que tem cheiro de chocolate, sinfonia da natureza, cores mais brilhantes. Construções à moda italiana e alemã. Habitantes satisfeitos. Frio. Frio o ano inteiro.



Mas ainda assim, é Brasil. É casa.
Deve ser por isso que Campos atrai tanta gente na sua alta temporada, que vai de junho até o início de setembro. Os estrangeiros estão presentes, mas a maioria é brasileira.

Meu pai sempre diz "que é tudo muito lindo... mas só dá pra passar 3 dias, no máximo". Verdade. Apesar de tudo, Campos é pequena, e suas atrações uma hora se esgotam. Mas vamos falar dessas atrações.

Na verdade, qualquer lugar da cidade é uma atração.
Sempre há chances de encontrar alguém famoso passeando e se atirar em cima dele, ou então, você só precisa apreciar a vista.

Aliás, se você quiser fazer esse último de maneira mais completa, é só subir o teleférico. Vale a pena se você não morre de medo de altura. E fique preparado - vão tirar uma foto sua no final.

Depois de conhecer a cidade "por inteiro", é hora de se "embrenhar" dentro dela. Para isso, existem milhões de trenzinhos à sua disposição, sempre com guias muito divertidos.

***

-À sua esquerda, podemos ver na encosta do desfiladeiro uma das maiores pousadas da cidade. Não é muito indicada para casais que brigam - olha só a altura dela. Mas por outro lado, é ideal para levar a sogra.

***

Outra coisa - comida.
Acho que nem preciso comentar que é fantástica, mas sempre é bom acrescentar.

Já decidi que vou abrir uma Casa de Fondue aqui em Manaus, toda decorada, com excesso de ar-condicionados e garçons importados. Vai ser um s-u-c-e-s-s-o. Como que ninguém nunca teve essa ideia brilhante antes?

Porque falta isso aqui. Falta Fondue. OH. De queijo, carne... chocolate ocasionalmente tem, mas falta a qualidade, o toque... mágico? Deve ser.

Enfim, ideia anotada. Aguardem.

Sabe o que mais falta aqui? Frio. Mas lá tem de sobra. É uma das maiores amplitudes térmicas que eu já vi. Tem perídos do dia relativamente quentes (pra alguém que veio de Manaus), assim, com o Sol na sua cara. Mas aí começa a esfriar, e esfriar, e esfriar, até quando você vê no termômetro: 3°C.

É claro que faz menos que isso de madrugada, e muitas vezes acontece a geada. Pra quem nunca viu "neve", já é um bom começo. Mas tem que gostar do frio. Só desse jeito dá pra aproveitar.

Se bem que eu acredito que não tem como não curtir uma cidade como essa, não importa o quão heremita você seja.

Estava comentando que se alguém resolver se matar subindo o teleférico e se jogando lá de cima, provavelmente vai desistir rapidinho. Chega lá em cima e realiza "Mas, poxa, é um mundo tão bonito..." e dá meia-volta.

Ou então lembra que a passagem de volta já foi comprada junto com a de ida. Não dá pra desperdiçar um negócio desses.

Se quiser morrer, se joga na frente do trenzinho. Você resolve seu problema e ainda dá uma história "muito maluca" pra uma turista feliz como eu contar.

Assim como essa.
E é assim que termina a minha semana em São Paulo.

Com vocês, as fotos da viagem.

Feira Eletrolar - São Paulo.

Mouses, muitos mouses...

Andando pela cidade.


Não precisa explicar.
- Campos do Jordão.

A vista que eu falei.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Vivendo como paulista

Este post faz parte da série Semana Maluca em São Paulo.

Vida dura essa de paulista. É ônibus, metrô, trem, metrô, trem, ônibus, gente empurrando, corre pra sentar, respira o ar poluído, sente o cheiro do rio Tietê, se protege do frio, vai pro trabalho, quase morre pra voltar pra casa... Enfim, adrenalina pura.

Por 5 dias, esta foi a minha realidade. Estava em São Paulo para visitar com meu pai a feira Eletrolar, de (logicamente) eletrônicos e coisas para o lar. Basicamente, aspirador de pó e mouse. De todos os tipos, formas, tamanhos, cores, que fazem barulhinho, que não fazem barulhinho, e segue o bonde.

Adorava ficar olhando, quase todo dia, as pessoas que via passando pela cidade ou andando no metrô. Pessoas comuns, eu e você. Era sempre uma história diferente - a moça conversando com o recém-namorado, os dois mui apaixonados; o executivo atrasado pro trabalho, correndo loucamente...

Era fácil descobrir que eu era turista. Ficava olhando fascinada para todos os lados, pela janela do trem, enquanto todos continuavam calados e de cabeças baixas, esperando a sua estação para saltar fora. Pena. Fico imaginando se perderia a graça, o encanto, se eu morasse lá também.

Mas toda rotina tem seus momentos.

Lá estávamos, eu e meu pai, esperando o trem já há quase 10 minutos. Um rapaz novo, bem vestido, se aproximou da plataforma, ouvindo música com os fones de ouvido do celular. Até que a anta larga o celular e deixa ele pendurado só pelo fone - praticamente implorando pra ser exercitar suas asinhas e sair voando. Dito e feito. O celular caiu, quicou três vezes e foi parar perto dos trilhos do trem.

Todo mundo virou para encarar, logicamente. Eu, por exemplo, tive um ataque de risos. O moço ficou acenando para um operário que trabalhava por perto, pra "Pelo amor de Deus" buscar o celular antes que o trem chegasse. O homem ficou com uma cara "tô vendo nada não..." e ficou por isso aí.

O trem chegou, e não se sabe se o celular foi partido em 28473246 pedacinhos. O rapaz parecia estar num dilema "embarco ou não embarco?", mas acabou desistindo e foi mesmo no vagão logo atrás da gente.

Outro dia, também no trem (tudo acontece lá, deviam ver), estávamos voltando daquela avenida QUE TEM LOJA DE ROUPA PRA TUDO QUANTO É LADO, acho que o nome da rua/avenida era José Paulino, vou pesquisar mais tarde, lá no Bom Retiro. Até aí, tudo bem.

"Lalalalala" - cantávamos no caminho de volta. Mas então, não sei como, não sei de onde, o trem estava lotado, era gente pra tudo quanto era lado, tinha uma senhora esparramada feito ovo frito na porta, e ninguém conseguia sair.

Estávamos CHEIOS DE SACOLAS, e só conseguimos sair umas três estações após a nossa, a Berrini. Ou melhor, "fomos saídos", já que ninguém conseguia se mover por conta própria lá dentro. Sabe aquela coisa de dois corpos não poderem ocupar o mesmo lugar ao mesmo tempo? Tudo baboseira, conversa pra boi dormir.

Aliás, falando nisso, São Paulo não dorme. Nem com o frio. Porque, PELAS CEROULAS DE MERLIN, 8 graus à noite? Faz isso comigo não. Eu gosto de frio. Gosto mesmo. Mas não de sentir frio. E se for pra sentir frio, que VENHA A NEVASCA, não fique torturando tanto assim.

E é com essas belas palavras que terminamos nossa estadia em São Paulo - bem resumida, eu sei -, mas não se preocupem, pequenos gafanhotos.



No próximo post... Campos do Jordão.
A cidade em que todo mundo é turista.
Que toda mulher é bonita...
...e que todo mundo é feliz, no frio mesmo.

 

segunda-feira, 11 de julho de 2011

São Paulo - por uma Manauara


São Paulo, grande São Paulo. Quando dizem que o Brasil inteiro está lá, realmente não estão brincando. Se você já foi pra lá, sabe do que eu estou falando.

Passei a última semana no estado de São Paulo, e posso afirmar que foi uma das melhores viagens que eu já tive - embora eu saiba que precise de férias dessas férias (vocês já vão entender o porquê).

Sim, eu já estive em SP antes. Várias vezes. Mas foram poucas as vezes que eu realmente parei pra ver alguma coisa... e não só dei "oi" pra cidade e troquei de avião.

Eu realmente gosto da cidade de São Paulo. Muitos dizem que é ou perigosa demais, ou com gente demais, ou com trânsito demais, ou poluída demais... Já eu digo que é... simplesmente demais.

É bom ver tudo funcionando. Porque lá, tudo funciona. As coisas são práticas. E eu, particularmente, gosto muito dos paulistas. Pelo menos, todos que encontrei era muito "gente fina", como já diria o caboco.

Em uma semana, andei em todos os meios de transporte possíveis e imaginaveís numa cidade - carro, táxi, ônibus, metrô, trem velho, trem novo, trenzinho, avião, teleférico... Foi, assim, fantástico.

E quando a gente engarrafou e passou 15 minutos no mesmo lugar? Eu quase chorei de emoção.
E quando o nosso voo ia atrasar e o aeroporto estava lotado? Eu só conseguia pensar no caos aéreo que eu tanto via na televisão, e ficava imaginando se eu ia dar uma entrevista indignada pra Globo.

Engraçado. Em Manaus, sempre me disseram que eu parecia Paulista, mas quando finalmente em São Paulo, eu me sentia mais Manauara que nunca.

Os próximos posts serão dedicados a essa viagem bizarra, emocionante e muito, muito legal... desta vez, no nosso próprio e amado país, o gigante Brasil.

Porque não é só no estrangeiro que nós podemos encontrar aventura.

Até o próximo post.
Beijo para os paulistas.