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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Vivendo em união


Você aí que está planejando fazer intercâmbio num futuro próximo: está na hora de se reavaliar. É claro que é importante ter noções básicas de higiene e economia, só que mais importante que isso é parar para pensar se você está pronto para viver com completos estranhos, que provavelmente nada terão em comum com você. E com isso vem, gradualmente, os problemas de convivência.

Todos somos diferentes e temos nossos próprios hábitos e gostos. Isso é normal. Mas também existe algo chamado bom senso, e que neste caso significa: fazer de tudo para não atrapalhar/invadir o espaço do outro.    É fácil, é simples, é automático no meu caso. Quero ver série? Coloco o fone. Quero ligar a TV? Pergunto primeiro. Coisas do tipo. Mas - e você pode até achar que não, mas acredite quando eu digo que - esse tipo de gente que aparentemente não sabe disso existe. E se você for um sortudo como eu, é esse o tipo que você vai encontrar.

Não vou entrar em detalhes sobre a minha roommate, porque não vale a pena e já cansei de me estressar com as peculiaridades da pessoa dela. Ao invés disso, deixarei a vocês a opção de deduzir o que ela tanto faz pra me irritar em forma de (adivinha) lista. Se vocês acompanham o blog há algum tempo, já devem saber que eu amo listas/tabelas/formas de organização de ideias.

Então, em primeira mão, para vocês, as básicas regras de convivência numa Host Family (da Inglaterra ao Taiti).

NO QUARTO
- Mantenha suas coisas no seu canto do quarto. Se sentir que já pode confiar na colega de quarto/família, sinta-se à vontade para deixar algumas sacolas perto da cama, mas nada muito além disso. Malas sempre fechadas e/ou trancadas.

-Faça sua cama logo após de acordar. Não se preocupe com a cama da sua colega (ou do colega), isso não é problema seu.

-Procure se vestir no banheiro e não ande só de meias por aí. E quando eu digo "só de meia"...

-Vai fazer barulho? Coloque os fones de ouvido. Se for Skype, pergunte antes, mas se puder, procure um canto afastado da casa para conversar. As pessoas de vez em quando querem dormir.

NO BANHEIRO
-Quando for tomar banho, leve suas coisas e coloque-as pelo banheiro. Porém, após terminar, leve tudo de volta para o quarto. Ninguém precisa ficar encarando seu xampu e creme para calos.

-Lembre-se que o banheiro provavelmente está sendo dividido por várias pessoas, especialmente em países europeus, onde não há... abundância deles nas residências (é sério).

-Não gaste muito tempo no chuveiro. Água é um bem precioso e não é você que está pagando.

NAS ÁREAS COMUNS DA CASA
-Logo quando chegar na Host Family, sua anfitriã irá avisar se você tem permissão para ficar passeando pela casa junto da família. Alguns são de boa e não veem problema, outros preferem que você fique no seu quarto fingindo que não existe. Dei sorte e fiquei numa família muito legal, então posso assistir TV na sala, por exemplo, mas isso não acontece em todos os casos. É bom ter isso em mente.

-De preferência, mantenha-se na maior parte do tempo no seu quarto mesmo. Você vai se sentir melhor por lá (a não ser, é claro, que tenha uma colega de quarto repugnante). Mas, no geral, não é muito bem visto ficar se intrometendo o tempo todo na rotina da família.

-Comeu? Bebeu? Usou? Lave. Simples assim.

-Muitas casas não oferecem serviço de lavandaria, e se oferecem, há um preço a pagar. Você será informado no dia da sua chegada, não se preocupe.

-Pergunte também sobre o wifi. Se não tiver, troque de casa (okay, brincadeira, mas não é legal ficar numa casa sem Internet).

 NO JARDIM
- ...Sério?

NO GERAL
-Só não destrua nada, não faça bagunça e não seja um mala que tudo vai dar certo (a não ser, é claro, que tenha um colega de quarto repugnante).

Mas existem coisas na vida que não dá pra evitar.

Só torça muito pra não se encarar com um problemas desses, e se não aguentar mais, informe seu colégio e eles providenciarão uma nova família na mesma semana.

Eu dando exemplo de boa convivência com meu amigo esquilo do Regent's Park

Não cometam meu mesmo erro e não esperem para falar (reclamar) no final da viagem. Engoli muito sapo nas últimas quatro semanas e não gostaria de ver alguém passando pelas mesmas dificuldades/inseguranças, se eu puder evitar.

Sei que a lista foi bem elementar/trivial, mas sinceramente, são essas as coisas que vão fazer a sua convivência um paraíso ou um inferno na Terra. É só seguir essas regras básicas que todo mundo fica feliz: você, seu colega de quarto, sua Host Mum, sua mãe de verdade, e o Papa.

E ninguém merece ter um intercâmbio ruim por causa de desentendimentos com estran(geir)hos.

Por hoje é isso, pessoal.

O que eu tenho vontade de fazer toda vez que minha roommate  me dá nos nervos.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Tem que se adaptar


Não, não, não estou envolvida em nenhum acidente envolvendo um helicóptero e um guindaste. Londres tem mais de 8 milhões de habitantes, não sei por que tanta gente pensou que logo eu estivesse por lá, vê se pode. Talvez porque estivesse por lá, mesmo.

É sério, meu colégio fica a 10min do lugar que aconteceu o negócio... mas, enfim. O engraçado foi que por um segundo pensei que todo mundo tivesse ficado genuinamente preocupado com o meu bem estar ao mesmo tempo e de forma aleatória, só que depois de alguns "Tem fogo aí?" e "Evacuaram as ruas?" eu entendi que tinha alguma coisa errada na cidade.

Pensaram que foi ataque terroritsta, mas bah. No final, todo mundo tava fazendo piada, o que na verdade é péssimo, mas os britânicos não conseguem evitar. 

Agora, sim. Boa noite, pessoal. Hoje cheguei cedo em casa para descansar e atualizar as coisas por aqui no mundo online. Minha vida social em Londres é fraquíssima e ainda não tenho muitos coleguinhas. Minha casa fica num canto duvidoso na zona 6 da cidade, a 2h do colégio, e esta é a minha vida. É meio triste, meio melancólica, mas não sinto exatamente a urgência de voltar. Se muito, agora entendi a importância de coisas que não prestava atenção antes. Por exemplo, acho que nunca agradeci o suficiente meus pais/irmão pelos sacrifícios que eles fazem por mim. É sério. Aqui estou por conta própria, desde a hora que acordo até voltando para casa de trem, e não existe ninguém tomando conta de mim, o que pode ser assustador.

Dizia que não queria saber de brasileiros em Londres, e hoje me encontro procurando quase que desesperadamente alguém falando português pelas ruas. Perdi a inibição e não me importo mais em ser taxada de turista, muito menos em pedir informação na rua. Sob essas circunstâncias, é absolutamente necessário se ajustar, melhorar, evoluir. Se não, você não come. Você não volta pra casa. Você fica presa numa casa a 2h de distância da escola.  E isso é mau, muito mau.



Mas agora passemos para as boas notícias. Fui para Baker Street, mais precisamente, 221, letra B. O museu do Sherlock Holmes em Londres é uma coisa engraçada porque não é literalmente um museu. É basicamente um passeio pela casa do detetive, desde a sala até o banheiro, todos os cômodos cheios de artefatos retirados dos casos, anotações supostamente feitas pelo Sherlock e livros de medicina do Dr. Watson em cada instante. Na sala, você pode sentar nas famosas poltronas dos icônicos personagens da literatura inglesa. É emocionante, na verdade. Mais emocionante porque elas estão do lado de uma lareira e essa semana está nevando horrores, então dá até vontade de chorar de emoção. Detalhe interessante sobre a casa: só tem um quarto. Interpretem como quiserem.

Comprei uma deerstalker e um cachimbo na lojinha ao lado e atendi a chamada do meu pai no Skype hoje caracterizada de Sherlock Holmes. Ele levou um susto e foi o ponto alto do meu dia.


Agora os detalhes relevantes e informativos sobre a semana: o colégio é localizado numa zona privilegiada da cidade e é um prédio antigo e muito charmoso, completamente reformado por dentro para abrigar salas de aula modernas com recursos como iLab e elevador.

A atmosfera é realmente que nem de filme de colegial e até agora todos se mostraram amigáveis e prestativos, inclusive e principalmente o staff da escola, que sempre querem saber "o que você está achando" a respeito de, bem, tudo.

Está sendo difícil me enturmar com o pessoal talvez pelo fato de estar somente no meu segundo dia, mas também porque sou uma espécie de anormalidade por aqui, já que acabei de completar 16 e estou num nível extremamente avançado, e todo mundo é bem mais velho e, no geral, está aprendendo a falar inglês agora.

Acredito que na próxima semana isso irá mudar, já que estou conhecendo gente legal do mundo todo e brevemente me mudarei para um lugar mais próximo, não ignorado por Deus.

Falando em semana, cara, tá frio. Zero grau todo dia, e dependendo da área em que você está, pode até mesmo estar nevando. Semana que vem, no entanto, vai fazer calor, graças a Deus. Acho que chega a 7 graus. Vou sair de shortinho pela rua.

Então é isso, por enquanto, colegas.
Não faço a menor ideia do que vou fazer amanhã, mas provavelmente será a mesma coisa que hoje. Ir pro colégio e voltar pra casa. Com a adição de algumas compras, talvez.

É, compras.

Eu só vou deixar isso aqui.

domingo, 13 de janeiro de 2013

1ª semana


Respira. Há uma semana, não acreditaria se alguém contasse o que eu iria passar para chegar até Londres, e se tivesse, teria ficado aterrorizada e provavelmente andaria para trás com a viagem. Mas reconheço que o que passei foi ao menos importante para me amadurecer como pessoa e aprender a enfrentar meus problemas sozinha. Da maneira mais inortodoxa possível, sim, mas de qualquer forma, uma aprendizagem.

Meu voo Lisboa/Londres foi de fato tranquilo, o "aperreio" começou mesmo quando cheguei. Logo na imigração, um indiano carrancudo foi rude comigo de propósito, tentando me assustar à toa. Depois de pegar minha mala, meu traslado não estava em nenhum lugar por perto. Não estava nem lá.

Liguei para o número de emergência e uma voz que parecia gravação perguntou qual era o meu problema. Expliquei detalhadamente e esperei por uma resposta. Ela disse que me ligaria de volta. Okay, eu disse.

Esperei sentada enquanto o aeroporto esvaziava, mochila na mão, mala na outra. Ela retornou após alguns minutos. Aleluia, pensei. Disse que o rapaz estava preso no trânsito e que demoraria mais um pouco. Okay, eu disse.

E ele chegou. Acabou que era um cara muito legal, um polonês bastante interessado pelo Brasil. A viagem até Bristol durou aproximadamente 3 horas e quando cheguei, perceberam que estava na residência errada. Fui até a certa e esperei por mais 15 minutos lá fora, torcendo para que nada mais complicasse a noite. No final das contas, meu andar só tinha acesso pela escada e minha roommate não falava. Okay, sem problema, pelo menos já estou aqui.

Durante todo esse processo, não reclamei nenhuma vez. Muitas vezes porque não era culpa da pessoa, outras porque não havia nada que eu pudesse fazer. De todo jeito, não estava nem um pouquinho feliz.

EF Bristol
No outro dia, descobri que meu nome não estava em nenhum grupo no colégio. Na verdade, esta é uma história muito longa e não vale a pena ser elaborada. Em suma: já que na minha residência havia um grupo de brasileiros, resolveram me agregar às atividades deles. O mais engraçado é: eu fui agregada ao programa que eu explicitamente havia avisado que não queria fazer parte, o Language Camp da EF.

Basicamente, é um grupo de 40 brasileiros que passa 3 semanas na Inglaterra, 1 semana passeando pela Europa, sempre com um líder, atendendo a todas as atividades juntos, todos os quarenta. Que maravilha. Eu, que odeio barulho/tumulto/andar em grupo, estava fadada a ficar por lá mesmo, porque não havia escolha.

Tudo bem. O pessoal lá era legal e essa semana foi importante para soltar mais meu inglês, sempre acompanhada por um adulto responsável para me auxiliar. Logicamente, durante a semana, tive que correr atrás de muitas outras coisas que não estavam resolvidas, e minha rotina era bem mais cansativa que a dos outros alunos do grupo. Foi exaustivo e eu vivia angustiada com o que vinha a seguir, embora não mostrasse.

Aliás, assistindo por fora, o pessoal achava que eu estava lidando com tudo brilhantemente. "Sorte que você é bem sociável, né?" ou "Admiro muito a forma que você consegue se manter equilibrada mesmo com isso tudo acontecendo" ou "Mas você não é inglesa?!".

Okay, isso foi bom para o ego. Mas não é seu ego que te mantém aquecida à noite, esta é a sua consciência. E a minha consciência andava meio abatida.

Meu aniversário, porém, foi muito divertido. Primeiro porque eu nem lembrava que era meu aniversário, segundo porque todo mundo foi propositalmente mais legal comigo, até o staff do colégio. A hora mais engraçada foi quando eu estava discutindo os detalhes do transfer na recepção, e o cara do balcão SURGE com um bolinho e começa a mobilizar a escola toda a cantar parabéns pra mim.

À noite, comemos pizza (minha primeira refeição decente durante a viagem) e respondi mensagens de familiares. O que me lembra: a comida.

Ugh, a comida. Sempre fui seletiva (fresca) pra comer, só que aqui tive que deixar muita coisa de lado. O sanduíche do almoço era realmente abominável e sempre dávamos um jeito de comer outra coisa nesse horário. Já esperava isso, de verdade, então não foi uma surpresa.

Visitamos Stonehenge (as pedras), Windstor Castle (residência oficial da família real), Hampton Court Castle (antiga residência do Henry VIII), o navio S. S. Britain (depois explico) e partes importantes da cidade de Bristol, como Nelson St., uma rua tomada por graffiti (artístico).


Hoje me separei do grupo que me adotou. Eles seguiram para Londres mais cedo, enquanto continuei esperando pelo meu traslado. Acabou que também era um senhor simpático, paquistanês, que conversou comigo e esclareceu algumas coisas no caminho. A Host Family, porém, não atendia nenhum telefone e ele não tinha como saber exatamente onde a casa ficava. Quando chegamos, quase três horas depois, ele logo avisou que essa foi a maior viagem que  já havia feito para deixar um aluno. Realmente, a casa fica a 1 hora do centro de Londres de metrô, o que é uma distância ridiculamente absurda. A área também não parece muito segura e a casa é simples. A senhora dona da casa não é britânica e trabalha à noite como enfermeira. Minha roommate é colombiana e também não parece muito interessada em mim até o momento. Tudo isso seria perfeitamente aceitável se não fosse essa distância e isolamento geográfico.

Felizmente, já conversei com meu pai e amanhã mesmo ele verá o que pode ser feito. Enquanto isso, me atualizo nas notícias globais e descanso um pouquinho num lugar que (YAAAAAAAAY) tem Internet.

Apesar de tudo, acho que estou bem [?]. Depois de uma semana como essa, não sei mais a diferença entre um "inconveniente" e um "problemão" e, pra mim, contanto que tenha um aquecedor por perto, estarei satisfeita. Ou quase.

Residência dos alunos (Bristol)
Fotos serão adicionadas daqui a pouco. Manterei vocês atualizados.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Pessoas & Viagens



Dizem que viajar é bom porque o cansaço é físico e não mental, e que essa é a intenção, afinal. Andar, andar, andar, manter o cérebro ocupado com as mais espetaculares vistas e esquecer todos os seus problemas. Na teoria, é claro.

Já faz algum tempo que eu não posto, mas garanto que tenho um álibi muito bom. E que vocês irão adorar. Porque um novo DIÁRIO DE UMA VIAGEM vai começar. E essas drogas de rimas.

Que lugar melhor que o velho continente para começar o novo ano? Dizem que é preciso conhecer melhor o passado para entender melhor o futuro, e essas coisas. Cá para nós, como esse povo fala.

E como nada é igual a primeira vez, esta série de posts começará de um jeito diferente. Eu sei que todos estão empolgados para descobrir os segredos de Londres, a vista da Torre Eiffel, o chocolate suíço, e a pizza... ah, a pizza italiana. Mas tudo ao seu tempo.

Pois o Big Ben, a Catedral de Notre Dame, nada disso se construiu sozinho. Foi preciso pessoas. Muitas pessoas, milhares de pessoas. Cada uma com a sua história, amores, sonhos, motivações e ideais.

Pessoas. E é delas que vamos falar.

***

Vamos lá, vamos lá, quem nunca fez amigos de viagem? Ou colegas, tanto faz. Aquele cara super legal que te ajudou no ônbius, ou a menina que fez companhia na fila? Aqueles que você sabe que nunca mais vai ver, mas que mesmo assim marcaram - de alguma forma - a sua viagem, e talvez até mesmo a sua vida.

Eu conheci muitos desconhecidos. Alguns nem tão desconhecidos assim. Alguns hilários, outros que me fizeram parar para pensar. E está na hora de compartilhar essas histórias, na ordem em que aconteceram.

1. A Paulinha do BBB

Não importa o quanto você queira bancar o intelectual, você sempre vai saber o que está rolando no BBB. E foi numa dessas edições, não sei se a de 2011 ou 2010, que nós conhecemos a Paula de Roraima, que foi  trollada no Brasil todo, mas especialmente aqui no Norte. Não lembro o quanto ela durou, só sei que encontrei a dita cuja no aeroporto de Manaus, com destino ao Rio de Janeiro.

Foi um daqueles momentos em que você encara uma pessoa e o seu cérebro faz a pergunta "Te conheço?", aí você fica encarando na maior até o clique vir. E quando o "clique" veio, eu caí na gargalhada. Só sei que a menina foi no mesmo voo que a gente, e sim, ela é muito mais apresentável pessoalmente. Meu irmão discorda, mas isso por que ele deve ter essa tal Síndrome de Asperger que todo mundo fala. Enfim, eu sou legal, não falo mal das pessoas e...

Na chegada no Rio de Janeiro, ela vem e fura a fila na minha frente no banheiro. Bitch. Fiquei sabendo que ela foi barrada numa festa dias depois. Bem feito.


2. A moça do metrô de Barcelona

Andar de metrô é a melhor forma para se conhecer uma cidade. Tudo fica mais perto, mais barato, e de quebra você ainda conhece os nativos em seu habitat natural. 

De repente, entra uma moça com um cachorro. Você vê pelas suas feições que é bonita, mas infelizmente essa beleza está toda mascarada por piercings e um cabelo loiro que um dia já teve dreads e atualmente está meio azul - e totalmente crespo. Roupas meio maltrapilhas, mas sempre têm esses europeus meio excêntricos. O cachorro deitado embaixo no banco, e a moça com um sorriso no rosto. Estranho.

Mais estranho - e engraçado - foi quando o cachorro confundiu um brinquedo de cachorro que anda com uma autêntica fêmea da sua espécie e saiu correndo pelo metrô em busca da sua amada. A dona do cachorro - ou do brinquedo - uma menina de 8 anos, ria a valer. E eu também, né.

No meio da viagem, a moça parece ter feito amigos. E começou a contar pra eles em espanhol que na verdade era italiana/francesa, e que estava tentando juntar dinheiro para se mudar para Paris/Londres, mas por enquanto as coisas não andavam bem. Na verdade, foi só essa última coisa que eu entendi, o resto ficou meio confuso. Enfim, a estação da moça chegou, e ela saltou para fora com seu amiguinho peludo, não sem antes se despedir de todos.

Quando a porta fechou, comentei com meu pai: "É cada um...", e ficou por isso mesmo.

No outro dia, acreditem ou não, eu a reencontrei no meio da rua. Mas não forma que gostaria. Ela estava sentada no chão frio em cima de uma coberta suja, dormindo encostada na parede, se cobrindo com o máximo que podia, com uma mão em cima do pelo do cachorro, sentado fielmente ao seu lado, e outra apoiando um cartaz que dizia algo como: "Tenho fome. Tenho sede. Não tenho casa. Por favor, me ajudem.".

E nenhuma sombra de sorriso no rosto.


3. O Steven Spielberg

Certo, este não é um desconhecido. Mas eu era pra ele. Ok, ainda sou. Mas ele não é mais - literalmente - para mim.

Serei breve neste relato para manter o efeito fantástico da coisa.

Imagine, só imagine, estar sentado no segundo andar de um ônibus turístico, em uma cidade linda como Barcelona, e de repente sobe na próxima estação um dos maiores cineastas de todos os tempos?

Aconteceu comigo. Eu bem que tentei tirar foto escondida dele, mas não deu muito certo, sempre ficava alguma coisa na frente. De qualquer forma, consegui mais tarde na viagem. Tudo bem que era o boneco de cera dele. Mas esse que é o efeito fantástico da coisa.



4. A mulher da Pizza Okay em Milão

Pizza italiana é pizza italiana, mesmo que ela seja só "Okay". Enquanto comia feliz meu pedaço de pizza COF COF do tamanho do mundo COF COF, surge essa moça duvidosa, de cara bem francesa. Cabelos curtos e repicados, boina, maquiagem forte, tomando café numa pizzaria. Só café.

E não só isso. Ela está me encarando. Sem parar. I'm sexy and I know it, okay, mas isso já passa um pouco dos limites. Foi assustador. O mais engraçado é isso - ela não parava de encarar. De me encarar. Meu irmão fez bullying comigo pelo resto da viagem todinha. Eu fiquei internamente feliz porque alguém - mesmo que fosse uma psicopata lésbica francesa - alguém gostou de mim. Viu? Ponto pra mim.


5. Os franceses que vão dominar o mundo

Eu sempre quis viajar de trem, e fiz isso pela primeira vez nessa viagem, no trajeto Milão/Lausanne, e mais uma vez de Lausanne para Berna, capital da Suíça.

A vista é de tirar o fôlego, claro, é uma pena que não consegui sentar na janelinha. Por quê? Porque tinham dois franceses ao meu lado, pai e filho, cheios de cadernos, anotações, jornais e desenhos em cima da mesa. Desenhos peculiares. Algo do tipo Código da Vinci, com uma atitude à la Nicolas Cage em A Lenda do Tesourou Perdido, tentando roubar a declaração de independência dos Estados Unidos. Ou podia ser nada, sei lá.

Eles conversavam baixinho, como se estivessem dando conselhos para o outro... E não me notaram a viagem inteira.

6. A vovó francesa e o vovô suíço em Lausanne

Na parada entre os trens, ficamos esperando numa parte coberta da estação, porque, logicamente, aquilo era a Suíça e estava congelando. Foi quando entrou uma senhora e um senhor, conversando animadamente em francês, ela usando um capuz muito engraçado. Tudo bem para mim, no worries. O problema foi quando a vovó resolveu começar a falar comigo. Em francês. E você conhece esses vovôs - eles nunca escutam quando você diz que je ne parle pas français. Eles só continuam falando, felizes por estarem conversando com a juventude. 

Quando eu convenci a vovó de que não era francesa, ela encasquetou que eu era americana, e começou a falar com um inglês carregadíssimo, impossível de entender. Ou quase impossível, porque aí eu consegui convencer ela de que era brasileira, de uma cidade chamada "Manaus". "OHHH, MANAUS", ela disse. Contou que já tinha lido um livro sobre a cidade, e que era um livro muito bom. Legal. Pensei que o papo tivesse acabado, mas como eu fui bobinha.

Ela me perguntou tudo, absolutamente tudo sobre a minha existência, e deu instruções exatas de como se chegar no aeroporto de Londres. Agora pergunta se eu entendi. Era extremamente confuso, e de tempos ela fazia notas em francês ou alemão com seu marido, que eu descobri ser suíço, e descobri também que eles estavam voltando de uma visita a mãe dele, uma senhora adorável.

Eles deviam ter uns 70 anos.
Pois é, Suíça, o segredo da vida eterna deve estar por lá.


7. O recepcionista do hotel de Paris

Dizem muitas coisas por aí, oh, como dizem, e uma dessas coisas é que os franceses são todos mal-educados e que odeiam inglês. E imagine chegar em Paris com isso na cabeça, sabendo no máximo uma ou outra frase em francês. Mas o preconceito foi quebrado logo de cara.

Todos os franceses que nos atenderam eram - por falta de termo melhor - muito gente fina. Especialmente o recepcionista do nosso hotel, Guillaume, que fez de tudo para a nossa estadia em Paris fosse melhor, e assim nos deixando mais confortáveis a respeito dos franceses, que, afinal, não são tão rabugentos assim. Ah, tá bom, talvez só um pouquinho.



8. A cagona da Torre Eiffel

Ah, a Torre Eiffel, símbolo do romance, da França, do turismo, mas principalmente, da bosta. Pelo menos para mim, agora. E eu não consigo parar de rir toda vez que eu lembro.

Chegamos de metrô praticamente na praça onde a belezura se encontra, e posso dizer que realmente é essa coca-cola toda. Mas isso não interessa agora. O que interessa é que dentro de um banheiro químico do lado da Torre, havia uma senhora. E não era um banheiro químico qualquer, o bicho era automático. A porta se trancava sozinha. E pelo visto, abria também.

Bem no momento que estávamos passando, a porta se abriu e revelou uma senhora de peso, digamos, avantajado, rosto vermelho, olhos fechados com força, sentada no vaso. O pessoal que queria usar o banheiro caiu na gargalhada, e a mulher, por falta de reação melhor, também. E nada da porta fechar de novo.

Acho que aquela foi a visão do dia. E não a Torre Eiffel.


9.Os brasileiros perdidos por aí

É fácil reconhecer um brasileiro no exterior. Eles falam alto, e sempre estão perdidos. Sempre. É possível ouvir comentários do tipo "Não, acho que não foi desse lado que a gente subiu, tenho quase certeza que foi em outro andar..." ou então "Olha, baratinho, só 10 reais...", "É em euro, sua burra".

O único lugar que eu não encontrei brasileiros foi na Suíça, mas era sempre bom encontrar um, mais idiota que fosse. Dava pra se sentir mais perto de casa, mesmo no frio do inverno europeu. Porque brasileiro é tudo igual.


10. A moça que faz sonhos realidade na Disney

Lola é o nome dela. Trabalha na Disneyland Paris, o que deve ser um dos melhores empregos do mundo. Tarefa do dia? Garantir que eu tivesse o melhor aniversário da minha vida.

O dia era 10 de janeiro, e foi a Lola que me atendeu no City Hall do parque. Extremamente simpática, explicou meus direitos de aniversariante e meu deu um button com meu nome, que exclamava "HAPPY BIRTHDAY", um pergaminho com o autógrafo de todas as princesas e fez a pergunta que iria mudar tudo.

Você quer falar com o Mickey?

Dã, é claro. Ele é que eu duvido que vai querer falar comigo. Mas ao invés disso, respondi "OF COURSE I DO".

Me colocaram numa salinha com uma poltrona e um telefone. O telefone tocou. Eu, logicamente, atendi. Era o Mickey e nós batemos um papo bacana, depois ele me desejou "A MAAAAAAAAAGICAL BIRTHDAY HERE IN DISNEYLAND PARIS".

Ok, era uma gravação. Mas mesmo assim.



11. O cachorro policial londrino

Existem muitas, mas muitas, MUITAS coisas que eu quero falar sobre Londres. Mas não nesse post, nos próximos. Porque neste aqui, eu falo sobre pessoas. Ou no caso, animais.

Eu nunca vou esquecer o momento em que chegamos em solo inglês, e tivemos que passar por um tubo fechado que detectava metais, drogas, armas, sei lá o que mais, e de repente surgia esse policial armado com um cachorro do tamanho do mundo que ficava te cheirando enquanto você passava, enquanto o cara falava "Keep walking keek walking just keep walking".

Dizem que a primeira impressão é a que fica. Enfim, como eu já disse, as pessoas dizem muitas coisas. Eu fico muito, mas muito, MUITO feliz em em poder dizer agora que... elas - hoho - estavam erradas.

Fim do DIÁRIO DE UMA VIAGEM PARA EUROPA - PARTE 1.


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O DIA - The Wizarding World of Harry Potter

Este post faz parte do especial DIÁRIO DE UMA VIAGEM PARA FLÓRIDA - THE SUNSHINE STATE. Parte 3.

E o dia havia chegado...
Sim, o dia de visitar o parque do Harry Potter.

Para uma super fã como eu, é a mesma coisa que um fanático religioso receber a confirmação que Deus existe. Ou quase.

Enfim, vamos falar do parque.

Islands of Adventure é um dos dois parques da Universal, e tem áreas separadas no parque para cada filme famoso. Exemplo: tem a área do Jurassic Park, da Marvel, do Dr. Seuss, a área do Harry Potter, entre outras.

O parque do Harry Potter dentro do parque [?] se chama The Wizarding World of Harry Potter - e sinceramente, é a parte que mais lota.

Escolhemos justamente a véspera de um feriado judeu para ir ao parque, POR ISSO ESTAVA A MAIOR CONFUSÃO. Era MUITA gente usando aquele chapéu judeu - o Kippa. Todos resolveram comemorar no parque, olha só que legal.

Depois de vagar pelo parque rindo do pessoal que usava as camisas do "Thing 1", "Thing 2" (Coisa 1, Coisa 2), parecia que tinha chegado a hora.

A entrada de Hogsmeada estava lá, na minha frente.
E eu?
Eu entrei.

E a mágica tinha só começado.

Logo na frente, podemos ver o Expresso de Hogwarts em tamanho real. Ele solta fumaça e faz barulho, é emocionante. De tempos em tempos, surge um maquinista do nada e ele começa a dar tchauzinho pra todos.

Entrada de Hogsmeade
Hogsmeade tem muitas lojas, mas a maioria é só fachada. Eu lembro de ter visto uma loja com a roupa da Hermione e o do Harry lá do Baile de Inverno. Mas cadê a do Rony, a mais legal? XD

A Zonko's é muito divertida. Tem tudo que a gente viu nos livros e filmes. Eu não comprei nada lá, infelizmente, mas fiquei encarando o Pufoso até eu lembrar que tenho alergia.

Alguns vendedores caracterizados fazem demonstrações com os produtos - mas eu saí de perto. É sério, eu ainda estava muito tímida naquele dia.  Era só alguém falar "Excuse me" que eu já me desesperava, sem saber o que fazer.

Mas vamos a loja que interessa. A Dedosdemel, ou Honeydukes, a loja de DOCES. Nossa, tinha CADA coisa lá. Varinhas de chocolate, Fudges, uma varidade enorme de bolos de caldeirão, SAPOS DE CHOCOLATE, FEIJÕEZINHOS DE TODOS OS SABORES...

Tenho que confessar que a minha vontade de comer os feijões era... quase nula. Esse "quase" é porque eu queria a caixa pra guardar de recordação. Mas, sério, gastar quase 10 dólares pra comer coisas que eu não gosto?  Lembrem-se, pessoal, não é só porque é Harry Potter que você tem que comprar tudo. Tem que ter noção também.

Eu comprei o sapo de chocolate. Quando eu abri, foi a maior surpresa: veio a figurinha da Rowena Ravenclaw, fundadora da Corvinal. A imagem era daquelas de vários planos, e parecia mesmo que ela estava saindo no papel. A caixa e a figurinha estão na minha escrivaninha, enfeitando o meu quarto.

Andando mais um pouco, podemos avistar uma das maiores filas do parque - a loja de varinhas do Olivaras (Ollivander). É um show dentro da loja, onde temos um Olivaras que escolhe alguém da platéia para escolher sua varinha - ou melhor, ser escolhido por ela.

Mas falamos disso melhor daqui a pouco.

Zonko's
A fila estava quilométrica, e nós resolvemos continuar andando. Em horários periódicos o dia inteiro, há vários outros shows pelo parque. Um deles é o coral de Hogwarts, com sapos coaxantes (de mentira, é claro), e outro é com os estudantes de Beauxbatons, Durmstrang e Hogwarts. Eles cantam uma versão muito animada de "Do the Hippogriff". É super dançante.
Olha só os judeus felizes...

Outra coisa muito legal e que eu não posso esquecer de contar é... a Cerveja Amanteigada. A fila também é enorme, mas eu precisava entrar em ALGUMA COISA, QUALQUER COISA. Lá estava eu, recebendo uma caneca grande, de líquido cor de caramelo escuro, CHEIA de espuma. Coragem, minha filha, tome.

Tomei.

WOW.

Aquele troço é fantástico.
Gosto de refrigerante misturado com milk shake de baunilha, bem gelado e com espuma. Eu adoro a espuma - menos aquele bigode chato que fica depois...


Cerveja nas mãos, seguimos nosso caminho, para ter a visão mais espetacular do parque. OH YEAH, o castelo.
Todo mundo para e fica encarando com cara de perturbado. Não dá pra evitar.

Descobri - segundos depois - que o castelo também era uma atração. Um simulador: "Harry Potter and the Forbidden Journey" (Harry Potter e a Jornada Proibida). O nome já diz tudo. Se é proibido, É CLARO que todo mundo quer entrar.

Mas a fila... 1 hora de espera.
"Ok, vamos rodar mais um pouco...".
Paramos numa lojinha na saída do simulador, e lá tinha TUDO. Pelúcias (da Edwiges, Fawkes, Bicuço), chaveiros, os filmes, os livros, cachecóis das Casas, canecas, porta-retratos, camisas...

Eu comprei meu cachecol da Grifinória, um conjunto de copos das Casas, um chaveiro de Vira-tempo, um travesseiro, uma blusa da Grifinória, uma Edwiges (Hedwig) de pelúcia... e muitas outras coisas.

Saí usando meu cachecol.
Mas o que eu queria saber era: "ONDE ESTÃO OS UNIFORMES?" - Eu preciso de um uniforme.
Mas isso fica pra mais tarde...

"Flight of the Hippogriff" (Voo do Hipogrifo) é uma montanha-russa familiar, muito fofa, mas sem nada muito brusco, ou que vira de cabeça pra baixo. Quer aventura? Vá no "Dragon Challenge" (Desafio do Dragão). Escolha o seu dragão e embarque numa aventura maluca com loopings, paradas repentinas, quedas - cada dragão é uma atração diferente. Mas é que eu não gosto de montanhas-russas...

Resolvemos deixar para voltar no Harry Potter mais tarde. Estava muito lotado, e faltava muito parque pra ver.

Dá-lhe, pai.
Saindo de Hogsmeade, chegamos ao Jurassic Park. Vimos uma fila de 5 minutos, e entramos. Era um passeio de barco por um riozinho lá... devia ser divertido. Fomos.

Começou legal, vários dinossauros perto da gente, alguns jogavam água na nossa cara, e tudo era muito "lalalalala". MAS AÍ, DE REPENTE, UMA LUZ VERMELHA COMEÇA A PISCAR, A MÚSICA MUDA... Nós entramos na área "proibida". Os dinossauros mutantes estavam à loucura - e alguns bichos bizarros espirram em ti. EM MIM - correção. É nojento.

Trinta metros de pura queda.
Mas aí, chegamos a um galpão, e o barquinho começa a subir, subir, subir, quase na vertical. Meu pai, se acabando de rir do meu lado, disse "Tudo que sobe devagar... desce rápido.". Esse se tornou o nosso lema da viagem. Carlinhos não gosta de montanhas-russas, simuladores, lugares fechados, quedas, voltas... ele estava tentando não parecer desesperado.

E eu... bom, eu tava lá. Indo. Com fé.

Eis que chegamos ao ápice da subida, e vemos um Tiranossauro Rex em tamanho real na nossa direção, pra nos abocanhar, aí... caímos. Ou melhor, despencamos.

Meus pensamentos naquela hora:
"UIA, QUE DEMAIS, UM TIRANOSSAUROOOOOOOOOOOO AAAAAAAAAAAAAAAAH AAAAAAAAAAAAH AAAAAAAAAH NÃO VAI ACABAR NÃO? AAAAAAAAAAAAAAAH OOOOOOOOOOOOH POFT".

É uma super queda, demora demais.
Despencamos quase 30 metros num ambiente fechado, e caímos com tudo na água. MOLHA TUDO. Meu pai, sortudo como ele é, molhou... a manga. Eu saí encharcada, e cabelo desarrumado. Carlinhos quase tinha perdido os óculos de sol na queda.

Vimos na foto do final da atração como saímos: Meu pai, rindo com uma cara muito engraçada, eu me encolhendo, e o Carlinhos com os óculos meio que caindo. O pessoal da nossa frente também tava com caras hilárias.

Andamos por mais algumas partes do parque que são insignificantes XD agora, e resolvemos voltar pro HP. Digo, eu resolvi.

HORA DE ENCARAR A JORNADA PROIBIDA.
Fomos eu e meu pai - eu já disse o quanto o Carlinhos é teimoso - com a câmera. Filmando tudo. Mais uma vez, eu queria já ter os vídeos a mão... Mas quando eu tiver, posto aqui. Ficaram muito legais.

A fila é mais divertida que o brinquedo.
Passamos pelo castelo inteirinho. Começa pelas masmorras, subindo para as estufas, entramos no castelo, vimos a Gárgula que leva ao escritório do Dumbledore... Até que surge o Dumbledore, lá em cima, na sala dele, e começa a falar com o pessoal da fila. É um holograma, mas mesmo assim, muito real. Parece mesmo que o diretor está lá.

E... RETRATOS.
MUITOS RETRATOS.
Tem uma parede gigantesca só com retratos, e todos eles falam, interagem entre si, mudam de posição... Você fica com torcicolo, porque quer aproveitar tudo.

Tem o Espelho de Ojesed também... Eu vi somente a mim mesma com o cachecol da Grifinória. "Será esse o desjeo mais desesperado do meu coração?". Aí eu lembrei que eu ESTAVA usando o cachecol da Grifinória... Eu devo ser a pessoa mais feliz do mundo.

Numa hora, empacamos: háviamos alcançado a "fila" de verdade. Poxa...
Mas aí, uma porta se abre, e vemos numa sacada Harry, Ron e Hermione saindo debaixo da capa de invisibilidade. Eles ficam dizendo que vão nos ajudar na nossa jornada e tal... Eu gravei, rá. Uma hora, o Rony começa a fazer nevar na gente, e a Hermione faz um movimento de varinha, ouvimos um PLOC, aí para. Incrível.

Outra coisa engraçada é a Mulher Gorda brigando com a gente porque nós não temos a senha. Aí ela resolve cantar... e já viu, né?

Andamos rápido pra sair de lá.
Até que eu percebi que a fila estava acabando. O Chapéu Seletor estava nos dando últimas instruções sobre como sobreviver ao brinquedo, mas eu não estava nem prestando atenção. Só faltava eu pular de emoção.

AGORA, É A HORA!
Um britânico usando o uniforme completo de Hogwarts chega pra você e pergunta: "How many Muggles?" (Quantos Trouxas?).

Eu queria ter respondido "Uma bruxa e um trouxa", mas o cara não parecia ter muito senso de humor, então eu disse "Just 2 Muggles".

Se me perguntassem isso em português, eu diria dizer "Trouxa nenhum, meu amigo. TROUXA é a sua mãe".

Uma pergunta, tantas respostas...

Entramos numa esteira que leva aos carrinhos. São quatro lugares, e nós tratamos de nos prender bem naquela proteção. Soube que o brinquedo tinha muita "emoção".

COMEÇOU. Ele anda de lado até entrar no simulador, e vemos a Hermione tacando Pó de Flu na gente.

E A AVENTURA COMEÇA.
Estamos ao ar livre, voando atrás do Harry e do Rony, em direção ao campo de Quadribol,  passamos pelo castelo e vimos o Hagrid. Eu acenei loucamente. Ele fala, com umas enormes algemas quebradas: "Vocês viram um dragão por aí?". Oh, céus.

"DRAGÃO!" - O Harry grita. ELE ESTÁ ATRÁS DE NÓS, VOE, VOE!
Entramos em um cenário de verdade e a "luta" está acontecendo lá fora. Vem fogo, algumas coisas rasgam, o carrinho vira que nem doido pra todos os lados, inclusive quase viramos de cabeça pra baixo. Numa hora, o carrinho para e surge o dragão - gigantesco - bem na minha frente. Ele berra na sua cara, e joga fumaça. O meu lugar era fantástico, bem localizado.

"Ufa...", pensei.
MAS ERA SÓ O COMEÇO.

Chegamos na parte das aranhas, e é tudo muito escuro. Tem aranhas gigantescas por todos os lados no cenário, e nós estamos bem longe do chão - essa parte não era bem simulador, era tudo real. Uma veio e JOGOU ALGUMA COISA NA MINHA CARA. "Credo, filha do Aragogue", eu exclamei. Não tinha acontecido nada com o meu pai, aquele sortudo...

Aquela parte é assustadora, mas eu só conseguia rir - talvez pra esconder justamente isso - quando o ARAGOGUE surge e tenta te pegar. Pense num bichinho feio...

O Harry nos salva com seu "ARAMIA EXUMAI!". Meu herói...
Além disso, a Hermione, de algum lugar, fica gritando "SIGA A MINHA VOZ!". Ó, minha filha, se eu pudesse...

Eu não lembro direito como, mas chegamos na partida de Quadribol. BEM NO MEIO DE TUDO. Eu ficava me beliscando pra ver se era de verdade. O Draco empurra o Harry, e a partida continua.

Nós voamos pelos aros em alta velocidade, e quase dá pra sentir o vento no nosso rosto quando... "DEMENTADORES NO CAMPO!!!" - Harrry grita. Ai, G-suiz, mais uma...

Eles começam a atacar, e de repente viramos e damos em um cenário complemamente escuro, gelado, como se nunca mais pudéssemos ser felizes de novo... Já sabe, né?

E dezenas de dementadores começam a surgir. Cadê o Harry nessa horas??
Eu gritava para eles "EXPECTO PATRONO!!", e esperava o meu esquilo aparecer e salvar geral, mas, PUTZ, estava sem varinha. E agora?

Os dementadores em tamanho real se aproximam do carrinho - não dá nem pra ver o chão - e começam a sugar a alma de duas pessoas. Logicamente, uma era eu.

O bicho na minha cara, uma luz saindo da boca dele, e eu lá "Oi?".
"SOCORRO, MINHA ALMA ESTÁ SENDO SUGADA!"

O Harry grita de algum lugar "DEIXE ELES EM PAZ! EXPECTO PATRONO!", e aparece o Patrono... Ah, é tão bonitinho... Nós vimos ele ACABAR com a raça daqueles chatos.

"VAMOS, É HORA DE VOLTAR PARA O CASTELO!" - Estávamos na direção do castelo, passamos pelos corredores, até que o carrinho gira e nós aparecemos no Salão Principal, com o Harry levantando a Taça das Casas falando algo como "VOCÊS CONSEGUIRAM! DEMAIS!". Quase o elenco todo está lá. MENOS o Snape, como pode?

Dumbledore assente para gente, e nós ouvimos a voz dele ecoar pelo carrinho... "Não se esqueçam de pegar seus pertences pessoais nos armários quando saírem, menos aqueles que podem ter sido confiscados pelo Sr. Filch...". Adoro.
DE NOVO, DE NOVO.
Valeu a pena cada segundo.
Meu pai tava meio tonto, mas ele tinha gostado do brinquedo.

Encontramos o Carlinhos lá em embaixo, e seguimos para a fila da loja do Olivaras. Estava bem menor. No show, o senhor que interpretava o Olivaras escolheu uma senhorinha muito engraçada, e perguntou se já tinha visto ela antes. PUTZ.

Ele sobe em estantes e pega varinhas para ela testar. É igual ao filme. Muitas coisas acontecem na loja... Ou melhor, são destruídas na loja. No final, tem o famoso "I wonder...", e ele dá outra varinha pra ela. Ela gira e sacode, e um facho de luz a ilumina. Eu tive ataque de riso nessa hora.

"A varinha escolhe o bruxo" - ele repetia.
No final, ele nos dava acesso para a outra parte da loja, onde nós poderíamos escolher nossas varinhas. Eu não gostei muito das originais, então comprei a varinha do Dumbledore, que afinal, também é uma Relíquia - em todos os sentidos.

E EU ACHEI.
OS UNIFORMES.
LÁ.
NA MINHA FRENTE.

Resultado: Saí da loja vestida de Grifinória com uma varinha na mão, serelepe e saltitante.
Eu era enfim uma Grifinória.

***

Nós voltamos no parque outro dia, dessa vez, vestida de Grifinória, e andamos nos brinquedos que ainda não tínhamos ido. Dessa vez, passamos por uma fonte que zoava das pessoas. Sim, uma fonte de água.

Ela jogava água em quem tentava chegar ao outro lado, e falava com as pessoas. "Vejam só, temos uma Grifinória aqui...". Olhei pra trás. Era só eu. Acenei loucamente pra fonte, sorrindo. "Mas quer saber? Eu sou um Sonserino.". O pessoal  ria. Era muito brasileiro por lá. "Desafio vocêm, Grifinória, a chegar mais perto...". Eu que não era doida de chegar perto pra molhar minha roupinha nova. Fiz o sinal de não com a mão. "Covarde...". Covarde não, querido, este é apenas o jeito Sonserino de ser. Esquece que eu sou da Grifinória.

A fonte fazia um show, e jogava água pra todos os lados, tudo coreografado, e tinha luzes, música... Aí ele dizia que nós éramos muito chatos e que ia dormir. E roncava. Aí o pessoal retardado chegava bem perto, E BUUUM, ERA ÁGUA PRA TUDO QUANTO ERA LADO.

No final do dia, eu comi meu sapo de chocolate feliz, porque agora eu SABIA que existia mágica de verdade no mundo... é só dar uma passadinha do The Wizarding World of Harry Potter.


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