domingo, 12 de fevereiro de 2012

Melancolia vespertina...


Lembro vagamente de um post que fiz ano passado na entrada do 9 ano do Ensino Fundamental. Ele falava de bolhas, medo e filas de cantina, acho. Não vou dizer que era feliz e não sabia, porque, nananana, eu não era, não, nem adianta.

Mas, ok, estou ligeiramente menos feliz que antes.  Porque lembro também vagamente de um comentário que falava que no 1o ano, você enfrenta um monstro disfarçado de prova, e ele quer te comer. Não duvido.

Logo no primeiro dia de aula, todos falando da importância do PSC (Processo Seletivo Contínuo), que ele é a sua porta de entrada mais fácil pra faculdade e o quanto o Enem é uma loucura para passar e todas essas coisas.  É um saco, monótono e repetitivo. Mas você sabe que é verdade. Agora você é quase gente grande. E o 1o ano é o que possui mais conteúdos, mais matérias, mais estresses e unhas roídas, segundo depoimentos de sobreviventes que preferiram não se identificar.

É até engraçado, se você for parar pra pensar. Quando eu era pequena, achava que nunca iria chegar na 6a série. Nossa, a 6a série era algo inalcançável, nossa, nunca que eu iria viver para chegar na 6a série. E eu via nos filmes o pessoal super legal da 6a série, que saía por aí resolvendo mistérios e... sendo legal, ah, como eu queria ser um deles. E o pessoal da 6a série nas histórias sempre sofria bullying dos garotos enormes e malvados da... 7a série. Bons tempos, bons tempos.

Boas notícias aos navegantes - passamos da 6a série. Yay. Não só na 6a série, mas como também do 9 ano do Ensino Fundamental.

E agora nós temos aula a tarde. Que maravilha. Estudo de manhã desde que me conheço por gente, o que deve ter sido lá pela 2a série. Estudar a tarde a partir de então virou sinônimo de horror.

Lembrava da melancolia vespertina que sentia, a desgraçada sempre batia às 17 da tarde e durava até a hora de chegar em casa. Me sentia meio inútil e achava que estava desperdiçando tempo, perdendo a manhã e a tarde toda, tendo que fazer tarefa só à noite. Tudo isso na minha cabeça de 2a série era demais para aguentar. Saí do turno vespertino em setembro e terminei o ano no matutino.

Nunca fiz a 3a série. Mas isso porque no ano seguinte o ensino passou a ser contado em anos e não séries,  e fomos colocados automaticamente no 4o ano. Foi uma confusão. Enfim.

Só que agora estou sendo obrigada a estudar de tarde nas quartas-feiras. Entrando no colégio às 7 e só saindo às 18. O que é normal nessa fase do campeonato, mas ainda assim a pain in the ass. Bom, tudo é melhor que estudar no sábado.

Mas esse sentimento, essa melancolia, essa nunca vai embora. 17 horas ela dá oi. Mesmo com um dia da semana a mais, mesmo se fazendo útil, mesmo estando no 1o ano... o cérebro se engana.

E lá estamos todos nós, toda quarta-feira, alunos deprimidos, calouros do Ensino Médio, assistindo o último tempo do dia às 18 pelo resto do ano.

Dai-me paciência, porque se me der força eu mato.


Votos sinceros de boa semana, pessoal.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Desventuras em série

Eu nunca fui de assistir de séries de televisão. Sério. Nunca tive paciência, na verdade. As poucas que assistia, como House e Friends, eram na TV e só de vez em quando, um episódio aqui e outro lá.

Mas aí vieram as férias e bateu o tédio. Típico. Mas o que assistir? Glee? Não. Gossip Girl? Muito menos. Precisava de algo mais original. Algo mais a minha cara. Que fosse diferente, e que realmente chamasse a minha atenção. Um começo.

E então eu lembrei de uma série que uma tia havia indicado, Merlin, da BBC. Conta a história do feiticeiro Merlin durante a sua juventude, ajudando o então príncipe Arthur e se preparar para ser o maior rei que a Bretanha já conheceu, tudo isso sem nunca poder revelar o fato de que tem poderes mágicos. A série é muito divertida, conhecendo ou não a lenda, e atualmente encontra-se na sua 4a temporada.


E foi assim, de episódio em episódio, que eu finalmente cedi às séries. O ritmo da 1a temporada de Merlin ajudou bastante, já que eu ainda não tinha muita paciência para ficar 45 minutos vendo filme no PC, non-stop.

E tudo ia muito bem, obrigada, até que... Merlin acabou. Havia chegado o último episódio da 4a temporada, e agora.... só em Setembro. Eu pirei, por falta de termo melhor. Que injusto. Que triste.

E agora? Que faria eu do resto da minha vida? Digo, férias?

Eu só queria baixar, baixar, baixar. Fiquei fascinada, já que nunca tinha conseguido baixar uma música com sucesso pro computador. E foi aí que uma amiga me apresentou Sherlock.

Sherlock é uma série britânica, também da BBC (BBC rules), que faz uma versão contemporânea do mais famoso detetive de todos os tempos, mantendo os seus elementos mais clássicos. Os personagens, atores, roteiro, tudo te agarra logo de primeira e não solta mais. 


São duas temporadas, cada uma com 3 episódios de 1 hora e meia cada. Eu estava feliz novamente. Tudo era Sherlock.

Até que... Sherlock acabou, tão cedo quanto começou. Com um final de matar. Literalmente. E agora... só ano que vem. Que injusto, que loucura. Tudo era Sherlock e tudo doía. Tudo ainda é Sherlock e tudo ainda dói. E Merlin? Ah, Merlin...

Eu me sentia órfã.

Para piorar, ainda veio a SOPA. A SOPA e a PIPA. Que dia fatídico. E eu não conseguia mais baixar. Poxa, poxinha, logo agora que eu tinha pegado o jeito. Logo agora que eu queria assistir Doctor Who, The Tudors, séries realmente com a minha cara.

Mas veio a SOPA e disse "NÃÃÃÃO, você não vai ver, não" e eu repliquei "AH, É? AH, É, MESMO? POIS EU VOU... EU VOU... chorar".

Mas parece que as coisas agora já estão se acalmando. Tudo, é claro, menos a minha vontade de continuar assistindo séries. Catando, separando o joio do trigo, achando coisas interessantes de verdade.

E fazendo assim a minha vida virtual um pouco mais útil. E bem mais dolorida.



Bem vindos a Lisboa


Após 3 voos e mais de um dia de viagem, foi quando tudo realmente começou. Uma das muitas desgraças de morar em Manaus é ter que descer pro Rio de Janeiro para subir para Lisboa. É como pegar esse caminho <- para ir para esse caminho ->. Ah, ainda melhor - subir para Madrid e depois pegar a esquerda. 

Enfim, nunca mais voo de Iberia. É como uma TAM espanhola, com a diferença de que tudo lá é... antiquado. As instruções de bordo, os comissários, tudo é chato. Nem TV tem. Os filmes que passam tem a INTENÇÃO de fazer você dormir em algum momento durante as 10 horas de voo. E você mesmo assim ainda não consegue.

Eu teria vergonha de oferecer aquela "carne" safada no jantar. Uso o termo carne porque não consegui decifrar que parte da carne era. E mais ainda de oferecer aquela "massa" com aspecto esverdeado. Tocava Tchaikovsky, Mozart, Beethoven e músicas natalinas durante a decolagem e pouso, e músicas tensas durante as turbulências. A parte que eu gostei mesmo foi poder ver no "telão" o avião decolando, por uma câmera colocada do lado de fora da aeronave. Pena que estava de noite, e não tinha luz.

Três escalas e um dia depois, chegamos finalmente em Lisboa, no dia 30 de dezembro de 2011. Eu adoro Lisboa. De verdade. É como uma extensão de casa - só que mais fria, mais calma e bem mais enrolada.

Sempre digo que se você planeja passar um tempo na Europa, deve começar por Portugal. É como um treinamento psicológico pro que ainda está por vir. E sim, existe trauma psicológico. Durante os posts vocês irão entender o porquê.

Mas, concordo com você. Passar o dia 31 e 1o em outro país não é uma ideia muito inteligente. Isso, é claro, se você não for eu. Ou alguém que não tem motivos para estar lá nesses dias.


Por quê? Porque é fim de ano, ora pois. Tudo ou já está fechado ou fecha cedo. Assim, às 5 da noite. Sorte nossa que nós temos o tio Moura que é super top em Lisboa e sabe de tudo que está acontecendo, e pode então nos "guiar" pelas ruelas do interior de Portugal.

O último dia do ano foi muito divertido. Nós visitamos o ponto mais ocidental da Europa, ou seja, o cantinho mais próximo da gente, aqui na América. Se você continuar nadando reto, reto, reto, reto infinitamente, uma hora chegará em litoral estadunidense. Bom, isso se você não morrer antes. Mas essa parte a gente abafa.


Visitamos também o Castelo da Peninha, e quase fomos levados pelos ventos e uma tempestade assustadora que nunca chegou. Uma senhora brasileira caiu e saiu rolando escada abaixo. Meu irmão sumiu enquanto passeava corajosamente pelas ameias do castelo. A câmera quase caiu do precipício. Mas podem ir lá, é muito divertido. Ah, e o seu Moura coletou um cogumelo.

Era um cogumelo muito bonito.

Cinco horas, como previsto, tudo estava fechando. Inclusive a pizzaria que seria a nossa "ceia" de final de ano. O jeito foi correr pro shopping e comprar Pizza Hut enquanto dava, mesmo. Então, a ceia foi pizza de mussarela com pasteizinhos de belém e bombonzinhos horríveis de sobremesa.

Quando deu 23:58, estávamos entretidos assistindo um documentário sobre uma família portuguesa vivendo no Alasca, e foi aí que eu lembrei. "FALTAM 2 MINUTOS PRA 2012, TODOS EM SEUS LUGARES". Meu pai foi pegar o champagne, eu abri a porta da varanda pra ver os fogos e meu irmão pegou o celular para ligar para todos desejando votos de um ano novo feliz.

Acabou que não teve fogos em lugar nenhum em Lisboa, tava todo mundo já dormindo mesmo, e a gente lembrou que ainda eram 19 horas em Manaus. Fazer o quê. Mas o champagne conseguimos abrir. YAY.

No dia 1 de janeiro, passeamos pelo centro histórico de Lisboa, em Terreiro do Paço. Meu irmão quase morreu ao dar um espirro, e eu irei rir eternamente disso.



Lisboa foi a primeira e mais tranquila parada da nossa viagem ao redor de seis países europeus, no período de 19 dias.

Como já conhecíamos de outros carnavais os quatros cantos da "terrinha", deixamos esse começo só para relaxar. Matar a saudade do tio e da cidade. E comer. Comer bastante.

E vocês já vão entender o porquê.



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Pessoas & Viagens



Dizem que viajar é bom porque o cansaço é físico e não mental, e que essa é a intenção, afinal. Andar, andar, andar, manter o cérebro ocupado com as mais espetaculares vistas e esquecer todos os seus problemas. Na teoria, é claro.

Já faz algum tempo que eu não posto, mas garanto que tenho um álibi muito bom. E que vocês irão adorar. Porque um novo DIÁRIO DE UMA VIAGEM vai começar. E essas drogas de rimas.

Que lugar melhor que o velho continente para começar o novo ano? Dizem que é preciso conhecer melhor o passado para entender melhor o futuro, e essas coisas. Cá para nós, como esse povo fala.

E como nada é igual a primeira vez, esta série de posts começará de um jeito diferente. Eu sei que todos estão empolgados para descobrir os segredos de Londres, a vista da Torre Eiffel, o chocolate suíço, e a pizza... ah, a pizza italiana. Mas tudo ao seu tempo.

Pois o Big Ben, a Catedral de Notre Dame, nada disso se construiu sozinho. Foi preciso pessoas. Muitas pessoas, milhares de pessoas. Cada uma com a sua história, amores, sonhos, motivações e ideais.

Pessoas. E é delas que vamos falar.

***

Vamos lá, vamos lá, quem nunca fez amigos de viagem? Ou colegas, tanto faz. Aquele cara super legal que te ajudou no ônbius, ou a menina que fez companhia na fila? Aqueles que você sabe que nunca mais vai ver, mas que mesmo assim marcaram - de alguma forma - a sua viagem, e talvez até mesmo a sua vida.

Eu conheci muitos desconhecidos. Alguns nem tão desconhecidos assim. Alguns hilários, outros que me fizeram parar para pensar. E está na hora de compartilhar essas histórias, na ordem em que aconteceram.

1. A Paulinha do BBB

Não importa o quanto você queira bancar o intelectual, você sempre vai saber o que está rolando no BBB. E foi numa dessas edições, não sei se a de 2011 ou 2010, que nós conhecemos a Paula de Roraima, que foi  trollada no Brasil todo, mas especialmente aqui no Norte. Não lembro o quanto ela durou, só sei que encontrei a dita cuja no aeroporto de Manaus, com destino ao Rio de Janeiro.

Foi um daqueles momentos em que você encara uma pessoa e o seu cérebro faz a pergunta "Te conheço?", aí você fica encarando na maior até o clique vir. E quando o "clique" veio, eu caí na gargalhada. Só sei que a menina foi no mesmo voo que a gente, e sim, ela é muito mais apresentável pessoalmente. Meu irmão discorda, mas isso por que ele deve ter essa tal Síndrome de Asperger que todo mundo fala. Enfim, eu sou legal, não falo mal das pessoas e...

Na chegada no Rio de Janeiro, ela vem e fura a fila na minha frente no banheiro. Bitch. Fiquei sabendo que ela foi barrada numa festa dias depois. Bem feito.


2. A moça do metrô de Barcelona

Andar de metrô é a melhor forma para se conhecer uma cidade. Tudo fica mais perto, mais barato, e de quebra você ainda conhece os nativos em seu habitat natural. 

De repente, entra uma moça com um cachorro. Você vê pelas suas feições que é bonita, mas infelizmente essa beleza está toda mascarada por piercings e um cabelo loiro que um dia já teve dreads e atualmente está meio azul - e totalmente crespo. Roupas meio maltrapilhas, mas sempre têm esses europeus meio excêntricos. O cachorro deitado embaixo no banco, e a moça com um sorriso no rosto. Estranho.

Mais estranho - e engraçado - foi quando o cachorro confundiu um brinquedo de cachorro que anda com uma autêntica fêmea da sua espécie e saiu correndo pelo metrô em busca da sua amada. A dona do cachorro - ou do brinquedo - uma menina de 8 anos, ria a valer. E eu também, né.

No meio da viagem, a moça parece ter feito amigos. E começou a contar pra eles em espanhol que na verdade era italiana/francesa, e que estava tentando juntar dinheiro para se mudar para Paris/Londres, mas por enquanto as coisas não andavam bem. Na verdade, foi só essa última coisa que eu entendi, o resto ficou meio confuso. Enfim, a estação da moça chegou, e ela saltou para fora com seu amiguinho peludo, não sem antes se despedir de todos.

Quando a porta fechou, comentei com meu pai: "É cada um...", e ficou por isso mesmo.

No outro dia, acreditem ou não, eu a reencontrei no meio da rua. Mas não forma que gostaria. Ela estava sentada no chão frio em cima de uma coberta suja, dormindo encostada na parede, se cobrindo com o máximo que podia, com uma mão em cima do pelo do cachorro, sentado fielmente ao seu lado, e outra apoiando um cartaz que dizia algo como: "Tenho fome. Tenho sede. Não tenho casa. Por favor, me ajudem.".

E nenhuma sombra de sorriso no rosto.


3. O Steven Spielberg

Certo, este não é um desconhecido. Mas eu era pra ele. Ok, ainda sou. Mas ele não é mais - literalmente - para mim.

Serei breve neste relato para manter o efeito fantástico da coisa.

Imagine, só imagine, estar sentado no segundo andar de um ônibus turístico, em uma cidade linda como Barcelona, e de repente sobe na próxima estação um dos maiores cineastas de todos os tempos?

Aconteceu comigo. Eu bem que tentei tirar foto escondida dele, mas não deu muito certo, sempre ficava alguma coisa na frente. De qualquer forma, consegui mais tarde na viagem. Tudo bem que era o boneco de cera dele. Mas esse que é o efeito fantástico da coisa.



4. A mulher da Pizza Okay em Milão

Pizza italiana é pizza italiana, mesmo que ela seja só "Okay". Enquanto comia feliz meu pedaço de pizza COF COF do tamanho do mundo COF COF, surge essa moça duvidosa, de cara bem francesa. Cabelos curtos e repicados, boina, maquiagem forte, tomando café numa pizzaria. Só café.

E não só isso. Ela está me encarando. Sem parar. I'm sexy and I know it, okay, mas isso já passa um pouco dos limites. Foi assustador. O mais engraçado é isso - ela não parava de encarar. De me encarar. Meu irmão fez bullying comigo pelo resto da viagem todinha. Eu fiquei internamente feliz porque alguém - mesmo que fosse uma psicopata lésbica francesa - alguém gostou de mim. Viu? Ponto pra mim.


5. Os franceses que vão dominar o mundo

Eu sempre quis viajar de trem, e fiz isso pela primeira vez nessa viagem, no trajeto Milão/Lausanne, e mais uma vez de Lausanne para Berna, capital da Suíça.

A vista é de tirar o fôlego, claro, é uma pena que não consegui sentar na janelinha. Por quê? Porque tinham dois franceses ao meu lado, pai e filho, cheios de cadernos, anotações, jornais e desenhos em cima da mesa. Desenhos peculiares. Algo do tipo Código da Vinci, com uma atitude à la Nicolas Cage em A Lenda do Tesourou Perdido, tentando roubar a declaração de independência dos Estados Unidos. Ou podia ser nada, sei lá.

Eles conversavam baixinho, como se estivessem dando conselhos para o outro... E não me notaram a viagem inteira.

6. A vovó francesa e o vovô suíço em Lausanne

Na parada entre os trens, ficamos esperando numa parte coberta da estação, porque, logicamente, aquilo era a Suíça e estava congelando. Foi quando entrou uma senhora e um senhor, conversando animadamente em francês, ela usando um capuz muito engraçado. Tudo bem para mim, no worries. O problema foi quando a vovó resolveu começar a falar comigo. Em francês. E você conhece esses vovôs - eles nunca escutam quando você diz que je ne parle pas français. Eles só continuam falando, felizes por estarem conversando com a juventude. 

Quando eu convenci a vovó de que não era francesa, ela encasquetou que eu era americana, e começou a falar com um inglês carregadíssimo, impossível de entender. Ou quase impossível, porque aí eu consegui convencer ela de que era brasileira, de uma cidade chamada "Manaus". "OHHH, MANAUS", ela disse. Contou que já tinha lido um livro sobre a cidade, e que era um livro muito bom. Legal. Pensei que o papo tivesse acabado, mas como eu fui bobinha.

Ela me perguntou tudo, absolutamente tudo sobre a minha existência, e deu instruções exatas de como se chegar no aeroporto de Londres. Agora pergunta se eu entendi. Era extremamente confuso, e de tempos ela fazia notas em francês ou alemão com seu marido, que eu descobri ser suíço, e descobri também que eles estavam voltando de uma visita a mãe dele, uma senhora adorável.

Eles deviam ter uns 70 anos.
Pois é, Suíça, o segredo da vida eterna deve estar por lá.


7. O recepcionista do hotel de Paris

Dizem muitas coisas por aí, oh, como dizem, e uma dessas coisas é que os franceses são todos mal-educados e que odeiam inglês. E imagine chegar em Paris com isso na cabeça, sabendo no máximo uma ou outra frase em francês. Mas o preconceito foi quebrado logo de cara.

Todos os franceses que nos atenderam eram - por falta de termo melhor - muito gente fina. Especialmente o recepcionista do nosso hotel, Guillaume, que fez de tudo para a nossa estadia em Paris fosse melhor, e assim nos deixando mais confortáveis a respeito dos franceses, que, afinal, não são tão rabugentos assim. Ah, tá bom, talvez só um pouquinho.



8. A cagona da Torre Eiffel

Ah, a Torre Eiffel, símbolo do romance, da França, do turismo, mas principalmente, da bosta. Pelo menos para mim, agora. E eu não consigo parar de rir toda vez que eu lembro.

Chegamos de metrô praticamente na praça onde a belezura se encontra, e posso dizer que realmente é essa coca-cola toda. Mas isso não interessa agora. O que interessa é que dentro de um banheiro químico do lado da Torre, havia uma senhora. E não era um banheiro químico qualquer, o bicho era automático. A porta se trancava sozinha. E pelo visto, abria também.

Bem no momento que estávamos passando, a porta se abriu e revelou uma senhora de peso, digamos, avantajado, rosto vermelho, olhos fechados com força, sentada no vaso. O pessoal que queria usar o banheiro caiu na gargalhada, e a mulher, por falta de reação melhor, também. E nada da porta fechar de novo.

Acho que aquela foi a visão do dia. E não a Torre Eiffel.


9.Os brasileiros perdidos por aí

É fácil reconhecer um brasileiro no exterior. Eles falam alto, e sempre estão perdidos. Sempre. É possível ouvir comentários do tipo "Não, acho que não foi desse lado que a gente subiu, tenho quase certeza que foi em outro andar..." ou então "Olha, baratinho, só 10 reais...", "É em euro, sua burra".

O único lugar que eu não encontrei brasileiros foi na Suíça, mas era sempre bom encontrar um, mais idiota que fosse. Dava pra se sentir mais perto de casa, mesmo no frio do inverno europeu. Porque brasileiro é tudo igual.


10. A moça que faz sonhos realidade na Disney

Lola é o nome dela. Trabalha na Disneyland Paris, o que deve ser um dos melhores empregos do mundo. Tarefa do dia? Garantir que eu tivesse o melhor aniversário da minha vida.

O dia era 10 de janeiro, e foi a Lola que me atendeu no City Hall do parque. Extremamente simpática, explicou meus direitos de aniversariante e meu deu um button com meu nome, que exclamava "HAPPY BIRTHDAY", um pergaminho com o autógrafo de todas as princesas e fez a pergunta que iria mudar tudo.

Você quer falar com o Mickey?

Dã, é claro. Ele é que eu duvido que vai querer falar comigo. Mas ao invés disso, respondi "OF COURSE I DO".

Me colocaram numa salinha com uma poltrona e um telefone. O telefone tocou. Eu, logicamente, atendi. Era o Mickey e nós batemos um papo bacana, depois ele me desejou "A MAAAAAAAAAGICAL BIRTHDAY HERE IN DISNEYLAND PARIS".

Ok, era uma gravação. Mas mesmo assim.



11. O cachorro policial londrino

Existem muitas, mas muitas, MUITAS coisas que eu quero falar sobre Londres. Mas não nesse post, nos próximos. Porque neste aqui, eu falo sobre pessoas. Ou no caso, animais.

Eu nunca vou esquecer o momento em que chegamos em solo inglês, e tivemos que passar por um tubo fechado que detectava metais, drogas, armas, sei lá o que mais, e de repente surgia esse policial armado com um cachorro do tamanho do mundo que ficava te cheirando enquanto você passava, enquanto o cara falava "Keep walking keek walking just keep walking".

Dizem que a primeira impressão é a que fica. Enfim, como eu já disse, as pessoas dizem muitas coisas. Eu fico muito, mas muito, MUITO feliz em em poder dizer agora que... elas - hoho - estavam erradas.

Fim do DIÁRIO DE UMA VIAGEM PARA EUROPA - PARTE 1.


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Quem foi que trouxe o pão?

Cá estou em uma pacata noite de quarta-feira assistindo As Aventuras de Merlin no computador, até que o telefone toca. E continua tocando e tocando e tocando...

Por que diabos minha mãe que está na sala não vai atend... Ah. Lembro que minha mãe está doente. Terrivelmente doente. E talvez o telefone não esteja na sala.

Saio correndo pela casa atrás do dito cujo que pia, e quando finalmente o encontro (tchan tchan tchan tchan), ele para de tocar. Não sei quem foi que ligou até agora.

Mas isso não importa. O que importa é que eu preciso voltar para o computador e pedir para o meu irmão trazer pão. Nós precisamos de pão, então o pão de cada dia nos dai hoje, querido irmão. Não tem pão aqui em casa. Na verdade, ultimamente não tem muita coisa aqui em casa.

Meu irmão precisa estudar, não trará o pão. E agora, José? Minha mãe disse que morrerá se não comer pão. Que faremos nós em situação tão delicada?

Então, para completar a festa, a campainha toca. Tem um homem estranho lá fora com uma sacola. Decido ignorar. Afinal, não te conheço, ó criatura.

A campainha continua tocando, e eu abro.
-Boa noite - digo.
E o porteiro novato vem e me estende uma sacola da padaria.
-Não é pra cá, não - replico com segurança. Ninguém pediu pão. Se tivesse, eu não estaria escrevendo isso agora.
-O rapaz veio e entregou. Aqui é o apartamento tal, certo?
-É sim. Mas... que rapaz?

O porteiro não sabia nem queria explicar. Foi embora. Me deixou com uma sacola suspeita de pão na mão. Encaro seu conteúdo. De onde vieste, objeto das profundezas?

-MÃE?! - grito pela casa. -Pediu pão por delivery? Existe isso?
-Não - ela responde. - Não foi o Carlinhos que entregou?
-Eu tô falando com o Carlinhos pelo MSN... Ele tá em casa estudando.

Mas ela não parecia se importar. O importante mesmo era que agora ela tinha seu pão e não tirava os olhos dele. Seu precioso.

Lembrei do telefonema misterioso. Seria ele o responsável pela entrega do pão? Se eu ao menos pudesse ver quem havia ligado...

Escrevo apressadamente essas palavras para fazer uma pergunta de natureza EXTREMAMENTE séria para todos que estiverem lendo neste momento... Foi você que trouxe pão aqui pra casa?

Se foi, muito obrigada. Você literalmente salvou uma vida.

Agora, se você roubou os pães da casa do seu João, criatura astuta da noite, SAIBA QUE TODOS estão atrás de você há um TEMPÃO. Principalmente as crianças cantando em rodas de brincadeiras. Um dia a sua identidade será revelada...

Enquanto isso, eu fico aqui comendo meu sanduíche de mortadela.

História baseada em fatos reais. Todos os fatos foram reais.






OBS (1 hora depois de escrito): Meu pai que trouxe o pão pra cá. Agora, como ele ficou sabendo que nós precisávamos, isso eu ainda não sei...

Mais mistéééérios da meia-noite.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Horário de Verão em pleno Inverno

Muita gente acha que morar em Manaus é chato por vários motivos. Todos eles estão corretos, mas você realmente não faz ideia do pior.

A cidade não é atrasada porque ainda não tem engarrafamentos de 4 horas e arranha-céus que vão bem além da nossa vista. A cidade não é atrasada porque fica perto da floresta. Na verdade, a cidade só fica atrasada mesmo por causa do Horário de Verão.

Quando chega Outubro, você sente a expectativa no ar. Da noite para o dia, de repente, sem aviso... estamos duas horas atrasados. Oh, não.

E isso é incrivelmente chato. Por vários motivos. Primeiro, a programação da TV. Você sente que está indo dormir cada vez mais tarde quando entra no quarto e já está passando o Jô. Mas na realidade você está indo dormir no mesmo horário de sempre. É só seu cérebro que não sabe disso. E você acorda mais cansado no outro dia.

Não, a programação não se ajusta. Fica tudo mais cedo mesmo. Cenas de sexo na novela, isso, tudo em horário mui, mui nobre. Repetindo - aqui não tem horário de verão.

Outro motivo. Você está na Internet conversando com seus amigos, até que todo o Twitter começa a se despedir às 21:30 da noite. Você pensa "que pessoal aplicado", aí lembra que são mesmo 23:30 da noite. Lá.

E cá estamos, manauaras, todos forever alone. Às 22.

E finalmente chegamos no motivo mais importante. Ano ano. Pense no nosso sentimento de desolação ao comemorar o ano novo com os fogos de artifícios em Copacabana... duas horas antes. Poxa, aí é spoiler. Perde toda a graça...

Mas, são nessas horas que eu penso que ter horário de verão deve ser mil e duas vezes pior. Imagina acordar no primeiro dia... você não pode confiar em nenhum relógio. Por uns 3 dias deve ser assim. Mas isso é pergunta pra paulista responder. Ou gaúcho. Ou baiano. Ou pra qualquer um. Meeenos a gente.

É como perder uma hora do dia. E no mundo louco de hoje, esse é um luxo que nós não podemos nos dar.

Ou talvez sim.

Mais um ano se passa e eu chego à mesma conclusão... nenhuma. Ou melhor, sim. Que tudo é questão de ponto de vista. Mas isso e nada é praticamente a mesma coisa.


Ou não?

Enfim.

Party hard hoje no twitter às 22:30, manauaras.
Oh, como a vingança é doce..