terça-feira, 1 de maio de 2012

Third Star


Existem muitos filmes que você só assiste mesmo por tabela. Por causa daquele ator famoso que você gosta, e está a fim de conhecer mais do seu trabalho. Aí você pensa, ah, por que não. 

A maioria desses filmes são pequenas produções, algumas até mesmo chatas, mas você assiste do mesmo jeito. É difícil.  Até mesmo por causa da acessibilidade, caso o ator seja estrangeiro e os filmes nem tenham título em português. Vida de fã é dura.

Role algumas páginas do meu blog e descubra quem é Benedict Cumberbatch. Pensando melhor, fique por aqui mesmo. Dá menos trabalho. É claro que fã não pode ter esse pensamento. Fã vai atrás. Fã burla SOPA e acha links. Mas esse, esse link parecia inalcançável. Todos fora do ar. Procurei o filme por dias, flutuando no limbo, até que um anjo em forma de outra fã se revelou e me salvou.

De tão conhecido, o filme nem tinha a opção de legenda para baixar. Sem problema. Achei uma em inglês, tentei sincronizar, não deu certo, e ficou por isso mesmo. Não sei como espero que vocês assistam o filme depois dessa, mas mesmo assim, fã precisa compartilhar.

Third Star é um filme britânico de 2010, dirigido por Hattie Dalton, estrelando Benedict Cumberbatch (Sherlock), J.J. Field, Tom Burke, Adam Robertson e Hugh Bonneville. Gênero? Comédia/ Drama.

Conta a história de James (Cumberbatch), 29 anos. Nunca verá os 30. James é um paciente terminal de câncer, que embarca em uma última viagem com seus amigos para o seu lugar preferido no planeta, a Baía de Barafundle.

Tipo de filme que você já sabe exatamente como vai acabar, mas não sabe (ou não quer saber) como vai chegar até lá. Porque é doloroso. Aliás, é por isso que não recomendo o filme para o público mais sentimental. Você vai passar horas pensando, pensando, chorando, pensando mais um pouco, até ficar louco. Esteja com a mente sã antes de apertar o play. Resolva todos os seus problemas, dê tchau para sua família, tudo em caso de uma emergência. E avise a alguém o que você está indo fazer, de preferência.

Fiquem avisados que Third Star é um filme poderoso. Tem um ritmo contínuo, nem tão lento, nem tão rápido, fazendo com que você mergulhe de cabeça na história e nos conflitos existenciais dos personagens pela sua 1 hora e 30 de duração.

O que você faria se seu melhor amigo no mundo tivesse pouquíssimo tempo de vida sobrando? Como reagiria? O que você faria se pudesse morrer a qualquer momento? Se a dor fosse insuportável demais? Como viveria os seus últimos momentos? Como conviveria consigo mesmo? Odiaria-se? Conformaria-se? Daria fim ao sofrimento o mais rápido possível? O que significa ser um amigo? E para quem fica? Como fica?

Esses questionamentos passam pela cabeça como raios durante a história. As atuações espetaculares tornam tudo ainda mais realista e aterrador. Há o alívio cômico, é claro, mas logo o filme volta para o que interessa.

A cada dificuldade - a perda do carrinho, dos suprimento, dos remédios - até o coração mais insensível se aperta. Os gritos de dor de James são quase impossíveis de suportar. Tive que abaixar o volume algumas vezes, pois as cenas eram fortes demais até mesmo para mim. O filme é uma experiência dificílima, especialmente para aqueles que conhecem ou conheceram situação parecida.


Mas nem tudo sobre o filme é dor e sofrimento. Ele é magnífico porque é belo, desde sua fotografia às suas lições de  vida, que são verdadeiros baldes de água fria. "E o que exatamente eu estou fazendo com a minha?"

Também o filme é repleto de reflexões sobre os pensamentos de James quanto ao que há do "outro lado", que geram comentários divertidos e non-sense sobre estar "dançando nas estrelas", fato este que explica o título da história, "Third Star", uma referência à localização da Terra do Nunca.

"... the third star to the right, and straight on till morning..."
"Isn't it the second star?".
"Oh, fuck it".

O filme termina de uma forma abrupta, cortante, você esperando por um desfecho mais esperançoso, algum discurso para mudar a sua vida, qualquer coisa, mas então você percebe que foi isso que o filme fez o tempo todo. E só então toma alguns instantes para se acalmar.

Se eu estivesse em uma audiência, todos teriam ficado em silêncio também. Mas era só eu, por isso passei os próximos minutos encarando um pontinho interessantíssimo na minha mesa.

Nunca, em muito tempo, um filme chegou tão longe em mim. Outros passavam só pela cabeça, ficando lá somente pelo resto da tarde até serem deletados completamente, outros passavam pela boca com suas risadas e gargalhadas, outros pelos olhos com seus mistérios.

Third Star foi sentido em um lugar mais íntimo. E que continua batendo erraticamente toda vez que essa emoção toda vem à tona. Haja fôlego.

2 comentários:

Tatiana Russo de Campos - Escritora e Artista Plástica disse...

Não consegui achar o filme. Ele me interessa. Vi alguns fragmentos no youtube. Vida de fã é complicada em alguns casos.

Bom o seu post.

Cumberkisses! =)

Thaise K disse...

Estou há dias procurando esse filme!
Veja a situação: sou fã do Tom Burke, e minha melhor amiga é fã do Cumberbatch.
Vimos o trailer, e agora temos que assistir!
Esse texto só me fez aumentar a intensidade das buscas, apesar da dificuldade que você teve.