sexta-feira, 25 de março de 2011

Você é o que é


Igor, eu e Carlinhos
Família.

Você sabia que não existem primos de segundo grau, os cônjuges dos seus tios não são seus tios também, e que todos os primos que nós temos de verdade são de quarto grau, e não primeiro?

Pois é.
Agora fala isso pra aquela palavrinha acima.

Sabe, durante o ano, você é feliz, vivendo com as pessoas que te fazem bem (ou não, né?), porque elas sempre estão por perto. Seu pai, mãe, irmão, primos legais, tios divertidos... esses sempre estão perto.

Mas tem aqueles... aqueles que só aparecem em, como eu posso dizer.. AH, ocasiões especiais.

Quem não odeia o Natal quando tem aquele povo todo reunido, bebendo, falando besteira, fofocando, desmaiando com a bebida, dizendo o quanto você cresceu, que já tá mocinha, perguntando se você já tem namorado, e quando você diz não, eles fazem a cara "É claro que eu acredito"?

Convenhamos.
Sua família não sabe nada sobre você.
E nem nunca vai saber.

Agora, é necessário passar por esses constrangimentos uma vez por ano?
Eu queria dizer que sim, que nos faz mais tolarantes e fortes, mas eu simplesmente não consigo.

Não consigo ver a parte positiva de ser jogada em uma arena, impotente, e esperar ser julgada por quem quiser e vier.

Eu só consigo ser eu mesma com quem eu já conheço há pelo menos 5 anos.
Se for menos que isso, meu caro, pode acreditar... você está falando com uma personagem.

Quando conheço uma pessoa e começamos a conversar, escolho o que eu vou ser hoje. Já sei, vou ser engraçadinha. E tudo ótimo, a pessoa pensa que eu sou idiota, aí eu invento alguma coisa e não volto nunca mais.

Ou então, eu nunca sei o que falar, pois não tenho assunto, e vivo concordando... aí a pessoa pensa que eu sou puxa-saco. Eu só não sei o que falar com você.

Ou finalmente, eu sou extremamente séria... e a pessoa pensa que eu sou uma chata sem vida social.

Resumindo, eu nunca causo uma boa impressão.

E o que isso tem a ver com a família? - você pergunta.
Tudo, meu amigo.

Eu já cansei de viver em função dela, e não pretendo estragar a vida de ninguém impondo uma a qualquer pessoa. Eu amo tanto os meus filhos que não pretendo colocá-los nesse mundo.

E, em um casamento, é inevitável que merdas assim aconteçam.

Tem aquela sua tia - ou seja, prima da irmã do seu tio-avô - que surge do nada e começa a falar animadamente com a sua mãe.

Minha mãe, como um ser meigo e educado, apresenta os filhos:

-Esta é a Ana Karla e o Carlinhos, lembra deles?

A velha nos encara, e eu me levanto para cumprimentá-la. Carlinhos some.

-Como vai? - e coloco em prática aquele beijo falso que eu treino pra não passar vergonha nessas horas.

E, sem mais nem menos, a velha fala para a minha mãe, como se eu não estivesse lá:

-Esta aqui não tem nada dos Vasconcelos. Nada, nada. - e enfatiza com as mãos. - Não tem o nariz dos Vasconcelos, nem o jeito dos Vasconcelos - e aponta para o meu nariz, demonstrando a protuberância na base.

-Não, não tenho. - respondo do jeito mais desafiador possível.

-Ela puxou para o pai - minha mãe disse - Os Kizem.

A mulher soltou um "ah".

-O outro também não tem nada dos Vasconcelos. Por que você não tenta de novo, Ana? - e ri daquele jeito de velho e perturbado.

Eu estava quase dando um soco na senhora nessa hora.

-A minha fábrica já fechou, eu nem posso mais.

-Que pena...

Nathália aparece para me chamar, e a velha:

-Ah, essa sim é uma Vasconcelos. Qual o nome dela?

-É a Nathália, filha da minha irmã, Consolata.

Nathália sorri meio afetada, e sussurra pra mim: "Quem é?".
"Nem queira saber, e para o seu bem, vá logo embora".
E ela foi.

A mulher fez outros comentários irritantes sobre o meu nariz, e eu finalmente fui embora.
Se ela percebeu que eu estava com muita raiva, deve ter adorado.
Sabe como esses velhos são.

Meu nome é Ana Karla Vasconcelos Kizem Rodrigues.

Ana Karla, Ana, ou simplesmente Karla, é como as pessoas me chamam.
Vasconcelos é o sobrenome português da família da minha mãe, que se orgulham em ter um brasão e grande história na família, como já disseram.
Kizem é o sobrenome da família do meu pai que veio da Síria, Líbano, e que tem uma história muito legal, mas nem é um sobrenome de verdade. Somos os únicos Kizem do mundo. Se isso não é especial, eu não sei o que é.
Rodrigues é o sobrenome português da família do meu pai, pois meu avô era também português.

Esses nomes me pertencem, e embora deteste 2/3 das duas famílias, fazem parte do lugar que eu vim.
Mas tem certas horas que você precisa ignorar de onde você veio, e se importar apenas para onde você vai, e quem você é.

Eu sou Karla Kizem, a blogueira que vos fala, e não a Ana Karla idiota que "não é Vasconcelos".

Mas quem é essa Karla Kizem, afinal?
Ah, meu amigo.

É uma menina que nunca soube direito o que fazer, mas que sempre se deu bem no final.


Que sempre teve alguém para contar...


...mesmo que fosse alguém muito pequeno.


Descendente de libaneses (vovó) e portugueses (vovô).

É um ser realmente muito estranho...


...que não gosta de ser apertado...


...que passa mal em igrejas desde, bom, sempre...


...e que sempre parece alheia à situação, mas na verdade, é uma raposa muito esperta.

Tão esperta que um dia já perguntou: "'É pra eu dormir nesta caixa?".


Sempre teve um penteado arrojado, e de vez em quando, até parece um menino...

Mas é impossível dizer que um ser tão intrigante como esse não seja absolutamente fofo.

Perdeu boa parte de sua meiguice anos atrás, e geralmente está frustrada com alguma coisa...

...mas pode te aconselhar como ninguém.



Já tentou ser princesa...



... e, no fundo, sabe que é...


... mas o nome Karla significa "fazendeira", "viril", e é exatamente assim que ela é.



Não espera o príncipe encantado...


... mas, mesmo assim, acredita que ainda exista mágica nesse mundo.

Não me leve a mal, tia...



... mas a Vasconcelos aqui não liga pra você.

2 comentários:

Jacqueline A. Domingues disse...

Da nova fase do blog, esse foi um dos posts que eu mais gostei, está realmente ótimo.
A idéia das fotos com as legendas embaixo ficou muuuito show, adorei :)

Sem contar que as fotos eram vc pequenininha, no melhor estilo "projeto de matilda" e também o texto que tava toda uma emoção pro post.

AMEI!

Jacqueline Ausier.

PS: A foto do coelho é REALMENTE a minha preferida XD

Flávia Martins disse...

ownntt, vc era mtttttt fofa karla, serio, me apaixonei pelas fotos!

Adorei esse post, mt fofo e engracado kkk

Bjuss

obs: Eu prefiro a foto que vc esta de pijama ;D kk